
O irmão rebelde
O Citroen Xsara passou por diferentes fases até começar a competir em pleno no Mundial. A aventura deste carro teve início no final da d´cada de 1990 com uma versão Kit Car que venceu o campeonato francês e duas provas do Mundial, apesar de dispor apenas de duas rodas motrizes; e prosseguiu com a construção e evolução de um verdadeiro WRC, o T4, que depois de dois anos de testes nalguns rallies do Campeonato se lançou em 2002 à conquista do título, feito que acabou por concretizar. Assim que entrou em cena começou logo a pôr em causa o domínio da Peugeot nos rallies de asfalto.
Em 1998, quando a Peugeot decidiu entrar no Mundial de Rallies, a sua marca irmã, a Citroen, recebeu o testemunho e participou no Campeonato de França, que venceria por duas vezes com um Xsara Kit Car. Aproveitando o regulamento da categoria Kit Car, a Citroen percebeu que o seu Xsara de duas rodas motrizes podia fazer frente aos WRC nas provas de asfalto e, em 1999, Philippe Bugalski triunfou na Catalunha e no Rally da Córsega à frente das grandes equipas do Mundial.
Nessa altura, a Citroen tinha pensado transferir-se para a categoria principal do Mundial e construir o seu próprio World Rally Car de quatro rodas motrizes, apesar de entrar em concorrência directa com a Peugeot.
O carro teria o mesmo nome, Xsara; no entanto, a sua génese não se encontrava nem no Kit Car nem no 206 WRC. O carro nasceu do zero e em pouco tempo verificou-se que o caminho escolhido era o correcto; um êxito de toda a marca dirigido com minúcia pelo chefe do Departamento de Competição, o ex-piloto Guy Fréquelin.
Como todos os WRC, o Xsara T4 foi equipado com um motor dianteiro transversal de quatro cilindros em linha e 16 válvulas de 1998 cc, ao qual se acrescentou um turbo. A potência que debita ronda os 300 cv às 5500 rpm. Quanto à transmissão, também não houve novidades: caixa sequencial de seis velocidades e tracção total permanente com diferenciais dianteiro, central e traseiro activos, ou seja, controlados electronicamente.
O carro teve o seu baptimos de fogo em 2001 durante o Rally da Catalunha. Bugalski e Jesús Puras alternaram na liderança, demonstrando a sua superioridade sobre os 206 WRC, os melhores no asfalto. Tudo levava a pensar numa estrondosa «dobradinha» da Citroen, mas na segunda etapa Puras abandonou com um problema na bomba de gasolina. Bugalski seria penalizado no dia seguinte com dois minutos e, portanto, perdeu o primeiro lugar porque como o carro não arrancou teve que o empurrar para sair do parque fechado.
A prova seguinte do Xsara foi o Rally da Grécia, onde Bugalski, que não é especialista de pisos de terra, conseguiu o sexto lugar. No San Remo, Puras, pressionado por Panizzi, cometeu um erro quando ocupava a primeira posição, mas Sébastien Loeb, a grande esperança francesa da Citroen, subiu ao segundo degrau do pódio atrás do Peugeot, realizando a melhor actuação do Xsara até àquele momento. Puras conseguiu-se desforrar-se na prova seguinte, o Rally da Córsega. Aí, o espanhol alcançou pela primeira vez uma vitória no Mundial e que também foi o primeiro triunfo do Xsara T4 WRC.
Na temporada de 2002, a equipa decidiu participar apenas em sete provas para ganhar experiência a pensar na temporada seguinte e aperfeiçoar o desenvolvimento do carro sobre pisos de terra. Os dois únicos pódios da temporada foram para Loeb: um segundo lugar em Monte Carlo, que teria sido uma vitória se uma troca de pneus numa zona proibida não tivesse valido uma penalização; e uma magnífica vitória - a primeira do francês - no Rally da Alemanha.
A temporada de 2003 começou com três pilotos extraordinários - Loeb, Colin McRae e Carlos Sainz. A sua intenção era só uma: conquistar o título. Começou tudo da melhor maneira: Loeb venceu em Monte Carlo, onde McRae e Sainz completaram o pódio, oferecendo assim à Citroen a sua tripla vitória. Na Turquia, Sainz obteve o seu 25º triunfo no Mundial e o primeiro com a nova equipa. Nas duas provas seguintes, Argentina e Grécia, o piloto espanhol acrescentou mais dois segundos lugares ao seu palmarés e ficou de novo com hipóteses de lutar pelo título. Após dois anos de aprendizagem, o Xsara WRC acabou por se sagrar Campeão do Mundo.







