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Vencedor sim, campeão não
O Ford Focus WRC é um dos carros mais fiáveis e competitivos do Campeonato do Mundo, sobretudo em condições difíceis, como o demonstram as suas repetidas vitórias na Grécia, Quénia, Argentina e mesmo no Chipre. Apesar de tudo, e embora a equipa Ford tenha contado com dois dos maiores pilotos, Colin McRae e Carlos Sainz, o Focus nunca chegou a conquistar qualquer título mundial, em grande parte pela coincidência com a melhor época de um dos seus rivais contemporâneos, o Peugeot 206 WRC.
Em 1987 a Ford deixou de investir no desenvolvimento do Escord RS Cosworth. Depois de cinco anos em competição, o carro acabara por ficar ultrapassado, de maneira que os esforços da equipa de rallies da marca se viraram para a concepção de um WRC com o aspecto do Focus, um novo modelo de série que era o símbolo da renovação da marca.
O objectivo era reforçar, com a participação em competição, o lançamento comercial do produto. Os engenheiros desenvolveram uma estrutura de grande rigidez torcional e configuraram as suspensões substituindo o esquema multibraço do modelo de série no eixo traseiro por um mais simples tipo McPherson. Uma das novidades de concepção era a disposição longitudinal da caixa de velocidades, algo que a Peugeot imitaria no seu 206 WRC. Esta medida favorece a repartição de massas mas, sobretudo, permite, em caso de avaria da caixa na estrada, trocá-la em apenas 20 minutos. A transmissão integral dispunha de dois diferenciais activos (dianteiro e central) controlados por uma central electrónica, e um de tipo mecânico no eixo traseiro, embora depois acabasse por ser substituído também por um diferencial activo. O motor era um quatro cilindros em linha de dois litros turboalimentado, com a potência limitada pelo estrangulador regulamentar da admissão do turbo a 300 cavalos.
Estreia polémica
Colin McRae, contratado nessa temporada para liderar a equipa, conseguiu o primeiro pódio na sua primeira prova, o Rally de Monte Carlo, em Janeiro de 1999. Não obstante, a FIA desclassificou a equipa por considerar anti-regulamentar a localização da bomba de água. O regulamento permite que este elemento seja substituido mas deve manter a mesma posição, algo que a Ford não cumpriu.
A partir do Rally da Suécia a marca utilizou a bomba de série de Thomas Radstrom, o segundo piloto, repetiu o resultado que obtivera em Monte Carlo e ficou em terceiro. McRae obteria as duas primeiras vitórias do carro nas duas provas seguintes (Quénia e Portugal). O Focus, na sua primeira temporada, parecia lançado para o título, mas a partir desse momento o brilhantismo demonstrado na primeira metade do campeonato iria desaparecer por completo.
Em 2000 a Ford contratou Carlos Sainz para evoluir o Focus. O carro ganhou eficácia, sobretudo nas afinações, e embora os pneus Pirelli - em 1999 eram Michelin - não fossem muito eficazes no asfalto, Sainz obteve um segundo lugar em Monte Carlo e subiu ao pódio na Catalunha e Córsega, enquanto McRae triunfou na Catalunha. Em terra, o Focus revelou-se quase imbatível, como o provam as dobradinhas em Chipre e Grécia e outros cinco lugares no pódio neste tipo de piso.
O título escapa
Nessa segunda temporada, a Ford podia ter conquistado os títulos de pilotos e de marcas, mas um mau final de temporada arruinou as suas hipóteses e teve que se conformar com o terceiro lugar de Sainz e ser vice-campeã de construtores. Em 2001 surgiu a primeira evolução do Focus WRC com uma melhor distribuição de pesos e o uso de materiais mais leves. Nos seis primeiros rallies Sainz subiu cinco vezes ao pódio e obteve um quinto lugar, mas terminou o ano a lamentar a vitória que podia ter alcançado na Grécia se não tivesse partido o motor no último troço. McRae, com três vitórias consecutivas, perdeu o título devido a um acidente no RAC. No Campeonato de Marcas, a Ford voltou a ficar em segundo. Em 2002 o Focus sofreu uma nova revisão. Recebeu um novo capot, com novas e maiores entradas de ar, retirou-se peso a alguns componentes e o motor foi evoluído. Sainz só alcançou uma vitória (Argentina), ao passo que McRae venceu na Grécia e no Quénia.
O novo Focus
Depois de quatro anos no Mundial, o Focus conseguiu 11 vitórias mas nenhum título. Os responsáveis pelo Departamento de Competição dispensaram então os seus dois principais pilotos e destinaram o dinheiro dos seus salários ao Departamento de Investigação, que construiu a quarta versão do carro com a ideia de lhe aumentar as performances sem comprometer a fiabilidade. Como de outras vezes, foram revistas as suspensões e o motor, assim como a electrónica. Com uma carroçaria mais aerodinâmica e um espectacular aileron traseiro, o novo Focus WRC revelou o seu potencial e após duas exibições de Martin na Argentina e Nova Zelândia, onde avarias o fizeram desistir quando era líder, na Acrópole, outra vez nas mais duras condições, obteve o seu primeiro triunfo.







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