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O melhor World Rally Car
Desenvolvido para devolver à Peugeot um lugra de destaque no Mundial de Rallies após 12 anos de ausência, o 206 WRC sagrou-se logo Campeão do Mundo na primeira temporada completa que realizou. Deste então ganhou dois títulos mundiais de Pilotos com o finlandês Marcus Gronholm e três de Construtores, tornando-se o rival a bater pelas restantes equipas participantes no campeonato.
Depois de 12 anos de ausência no Mundial de Rallies, em Dezembro de 1997 a Peugeot decidiu regressar à especialidade com um carro concebido a partir do 206 de série, que começaria a ser comercializado a partir de Setembro de 1998. O desafio era «simplesmente» ganhar o Mundial como noutros tempos fizera o seu antecessor, o 205 T16.
A concepção do carro teve ínicio em Março de 1998 e menos de oito meses depois já se realizavam os primeiros ensaios dinâmicos. Os prazos estavam a ser cumpridos para que em Maio de 1999 o 206 WRC se estreasse no Tour de Corse, mas o caminho para chegar até lá não foi nada fácil. Um dos primeiros obstáculos foi o regulamento, que obriga a que os WRC meçam pelo menos 4m. A FIA aceitou que a marca francesa fizesse do seu 206 de série, que media 3,83m, uma série especial GT de 2500 unidades com um comprimento de 4,005. Estes centímetros a mais resultaram do aumento dos apêndices aerodinâmicos dianteiro e traseiro e não houve um crescimento estrutural do carro porque a distância entre eixos continuou a ser a mesma, 2,46m. Estes valores fizeram do 206 WRC o carro mais pequeno do Mundial, o que também significava que era o mais ágil e nervoso e, portanto, delicado de pilotar, de toda a especialidade.
O desenvolvimento
O centro de competição recebeu a carroçaria do modelo de série proveniente da fábrica e à qual os mecãnicos desmontaram os painéis para se poder trabalhar na estrutura. Também foi preciso alargar as cavas das rodas e arranjar espaço para o túnel da transmissão. Posteriormente, a estrutura foi reforçada e recebeu a gaiola de segurança, formada por cerca de 40m de tubos. O motor escolhido foi um 2.0 de 16 válvulas, ao qual se acoplou uma caixa sequencial de 6 velocidades com comando robotizado. Este motor tinha um turbo que proporcionava parte dos 300cv de potência. A potência era transmitida às rodas mediante um sistema de tracção integral que permitia gerir o binário de maneira a chegar às rodas, que dispunham da máxima aderência e motricidade. Para isto contribuíam os diferenciais central (electrónico), dianteiro (mecânico) e traseiro (mecânico).
Nos primeiros testes detectaram-se muitas vibrações provenientes do motor que acabaram por partir a transmissão. Nos ensaios em troços de terra, a caixa de velocidades partia passados 40 quilómetros e os triângulos da suspensão, demasiado estreitos, também acabavam por ceder.
Um mês antes da estreia, a equipa deslocou-se à Córsega, mas tudo falhou. Os engenheiros e os mecânicos estiveram dias e noites inteiras a trabalhar até que na última sessão de três dias nos Alpes o carro conseguiu fazer 350 km sem qualquer problema. O 206 WRC estava pronto para as vitórias.
Em prova
Na primeira prova, o Rally de Córsega de 1999, François Delecour obteve o primeiro scratch do carro. As dúvidas quanto à construção do veículo dissiparam-se. Nesse ano, Delecour, Gilles Panizzi e Marcus Gronholm encarregaram-se de desenvolver e testar o carro nalguns rallies do Mundial, no sentido de o tornar mais fiável e fazer dele uma arma competitiva. Depois chegaram os grandes triunfos. Imbatível no asfalto até à chegada do Citroen Xsara Kit Car, e com uma excelente equipa de pilotos (a Marcus Gronholm e Gilles Panizzi juntaram-se mais tarde Richard Burns e Harri Rovanpera), a marca conseguiu vencer o Mundial de Marcas na sua primeira temporada completa (2000) e bisou o feito nos dois anos seguintes, ao mesmo tempo que Gronholm se sagrou Campeão do Mundo de Pilotos tanto em 2000 como em 2002.





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