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O Saab 96 V4 apôs à potência dos grandes carros com tracção traseira da época a leveza e a manobrabilidade. Foi com estas armas que estes carros, pequenos e arredondados com tracção à frente, e guiados por excelentes pilotos como Lars Carlsson, Simo Lampinen ou Stig Blomqvist, conseguiram vencer dois rallies de Monte Carlo e bater carros muito mais potentes em provas tão dificeis como os rallies da Suécia, 1000 Lagos, Acrópole ou até o RAC de Inglaterra.
Os Saab 92, com os seus motores bicilíndricos a dois tempos e o seu reduzido peso, foram bons carros de rallies desde que apareceram a partir de 1950. Com um motor de 700 cc e 28 cv de potência, tinham suspensões de barra de torção que lhes conferiam um comportamento peculiar. Em 1956, a marca lançou o 93, com motor tricilíndrico e 33 cavalos de potência, e com ele, depois de lhe trocarem as barras de torção por suspensões de molas, começaram a surgir os triunfos. Lars Carlsson, o piloto oficial da marca, venceu o 1000 Lagos de 1957 com um motor preparado de fábrica que debitava 65 cavalos de potência.
Os 93 levaram a marca a pensar a sério nos rallies como meio de promoção. Nesse tempo, a Saab era um pequeno construtor praticamente desconhecido fora da Suécia e os sucessos nos rallies abriram-lhe as portas de vários mercados, entre os quais o norte-americano.
Chega o 96
Em 1960 começaram os grandes êxitos graças ao aparecimento do modelo 96. Quanto ao chassis, manteve-se o design do 93, mas melhoraram-se tanto o motor, que continou a ser um simples tricilíndrico, a dois tempos, mas agora já de 850 cc, como, acima de tudo, a caixa que passou de três para quatro velocidades. O carro, muito manobrável, era competitivo nos rallies disputados em condições difíceis, onde a potência não era o principal argumento e, conduzido por Lars Carlsson, ganhou dois Monte Carlo e os rallies da Suécia, Acrópole, 1000 Lagos e o RAC. Carlsson, que ainda continua ligado à Saab, foi o piloto que mais se destacou nessa época.
O 96 evoluiu e, em 1962, recebeu travões de disco e carburadores de corpo triplo, sempre para ganhar potência. Nos carros de rally, retocando as câmaras de combustão e alterando a taxa de compressão, alcançavam-se os 90 cv de potência.
Mais potência
No entanto, para manter a competitividade, o 96, com um chassis e umas suspensões que talvez fossem os melhores da sua época, precisava de um motor que debitasse mais potência do que os pequenos a dois tempos e de dois ou três cilindros que o equipavam até então. A solução chegou em 1968 com a versão V4 do 96 equipada com um motor Ford de 1,5 litros. Como Carlsson se havia retirado, a marca apostou em dois jovens suecos que revelaram o seu talento ao volante dos eficazes 96 V4: Stig Blomqvist e Per Eklund.
Com os pequenos motores V4 a evoluírem com o passar dos anos (de 1,5 litros passou-se a 1,7 e a 1,9 litros) e potências de 160 a 180 cv, os 96 acabaram por ficar muito competitivos. As suas virtudes eram as suspensões, tão eficazes como robustas, e a leveza. Com pouco mais de 850 kg e com uma potência que não comprometia a capacidade de tracção das rodas dianteiras, os 96 eram carros manobráveis e tinham um comportamento soberbo em pisos escorregadios. Blomqvist soube tirar deles grande partido e marcou presença assídua nos pódios das grandes provas nórdicas, em especial do 1000 Lagos (foi o primeiro estrangeiro a vencê-lo), do RAC e do Rally da Su~ecia, no qual os 96 eram praticamente imbatíveis.
Os últimos anos
Os dois calcanhares de Aquiles do carro eram a suspensão dianteira, que tinha que suportar o peso do motor, e a caixa de quatro velocidades que, quando avariava - o que era frequente -, obrigava a desmontar o motor inteiro. A Saab manteve a sua equipa de rallies, mas seleccionou bem as provas e só participou naquelas que se adaptavam às caracteristicas dos seus carros. Por exemplo, a participação no Safari foi um fracasso. Os 96 V4 evoluíram e, além do aumento da cilindrada, a chegada de uma alimentação por carburador duplo manteve o carro na elite do Campeonato do Mundo até 1976, ano em que Per Eklund o levou ao último triunfo, no Rally da Suécia. A partir daí a Saab percebeu que os rallies haviam mudado e que os seus pequenos 96 já não eram rivais para uma nova geração de veículos. A marca concentrou-se então no desenvolvimento do seu novo modelo, o 99, também de tracção dianteira.








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