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A colagem dos pneus

Os pneus fazem a união entre o carro e o solo e são os elementos que mais afectam o comportamento do modelo. As rodas de um veículo de rally de rádio control têm uma composição e umas características muito semelhantes às dos pneus de competição dos automóveis de rally reais.
A jante de um carro de rádio control tem umas formas muito robustas, imitando em tudo as das suas «irmãs maiores». O que difere nelas é a composição, porque nos modelos de rádio control costumam ser feitas de nylon ou plásticos flexíveis que aguentam muito bem os impactes e são pouco pesadas, substituindo o alumínio das «a serio». Também se podem encontrar neste material, mas neste caso visam mais o efeito visual do que a competição.
Os pneus dos carros de rádio control são feitos de borracha e, tal como os dos veículos reais, são vendidos com diferentes durezas e misturas ou compostos, que oferecem um comportamento distinto no circuito. Têm a faixa de rodagem, que é a parte do pneu que está em contacto com a pista, e os flancos. A faixa de rodagem pode apresentar desenhos (o rasto) muito diversos ou ser lisa, caso em que se diz que o pneu é slick.
Alguns pneus de competição têm telas no interior para evitar que a força centrífuga os faça inchar ou deformar, característica que muito os assemelha às carcaças dos pneus dos automóveis reais. Para dar pressão aos pneus dos veículos de rádio control utilizam-se umas espumas ou «mousses» que enchem a parte interna do pneus e desempenham a mesma tarefa que o ar sob pressão. As espumas ou mousses podem ter diferentes durezas e é em função destas que se traduz o comportamento do pneu na pista.
Para se poder tirar todo o partido de uma roda é necessário que o conjunto dos elementos citados esteja bem fixado e não sofra quaisquer deformações. Isto obtêm-se com as técnicas de colagem.
- na imagem vê-se a semelhança entre as rodas usadas no automodelismo de rádio control e as dos automóveis reais. Cada pneu confere um grau de estabilidade ou comportamento diferente ao carro. Uns utilizam-se em pistas de asfalto (os slicks) e os outros em pistas de terra (com rasto).
- antes da montagem, as rodas têm este aspecto: pneus, espumas de dois tipos e jantes, tudo separado. É necessário seguir técnicas muito precisas para que o pneu ofereça todo o seu potencial no circuito, o que se traduz numa maior estabilidade e performances para o veículo.
- no mercado do automodelismo podem-se encontrar dois tipos básicos de espumas interiores, umas em forma de anel e outras em forma de faixas rectangulares. Há que ter em conta que nem todas são ara colar ao pneu, como é o caso das dos Citroen Xsara. As faixas em forma de anel não precisam de uma preparação específica para serem montadas, mas as rectangulares não se podem colocar tal como são vendidas, pois o pneu centrifugaria os flancos ao rodar e estragava-se.
- a colagem das espumas em forma de faixas faz-se com cola de neopreno, também conhecida como cola de contacto. Esta cola tem a vantagem de não endurecer demasiado a espuma. Se se utilizasse outro tipo de cola, como as tão divulgadas cianoacrilicas, formar-se-ia uma camada que reduziria as performances do pneu.
- para colas as espumas em forma de faixa, aplica-se uma camada de cola de contacto em cada uma das extremidades. Deixa-se secar pelo menos 15 minutos, pois caso contrario descolar-se-iam facilmente. A cola deve cobrir toda a zona dos bordos que vai ser colada, de ambos os lados.
- quando a cola já não se pegar aos dedos (a partir dos 25 minutos), podem-se unir os bordos. Há que prestar muita atenção a colocá-los correctamente, pois uma vez colados já não se pode rectificar a sua posição.
- o pneu também precisa de uma preparação prévia antes de ser montado. Esta consiste em limpar a parte dos flancos que vai ficar em contacto com a jante, com acetona ou outro dissolvente, pois costumam ter gordura precedente dos moldes de produção, que dificulta a montagem. É uma das garantias para que a roda não se descole no circuito.
- a jante, tal como o pneu, também precisa de uma limpeza antes da colagem com um pano embebido em dissolvente. Este produto aplica-se com muito cuidado, pois alguns podem torna-la quebradiça. Para evitar problemas, usa-se álcool, que elimina os restos de sujidade e gordura e não afecta qualquer tipo de jante. A partir daqui começa a montagem propriamente dita; a primeira coisa a fazer é a introdução da espuma ou «mousse» dentro do pneu. É muito importante que fique repartida uniformemente ao longo de toda a superfície do mesmo, sem rugas. Se for mal colocada, não será possível corrigir depois a colagem e proporciona um comportamento pouco adequado.
- agora introduz-se a jante no conjunto do pneu e da espuma. Para facilitar a montagem da maneira correcta, sem que os seus componentes se deteriorem, coloca-se o pneu perpendicularmente à jante e introduz-se até meio da mesma.
- a seguir, roda-se o pneu até ficar no seu lugar. Nesta etapa há que ter muito cuidado para que a espuma não se prenda nas protuberâncias que a jante costuma ter para evitar que o pneu se desloque. Se isto acontecesse, a faixa de rodagem apresentaria zonas sem pressão e a roda não rodaria redonda.
- nesta fase da montagem é necessário verificar se a espuma está perfeitamente colocada entre a jante e o pneu. Para isso, levanta-se com os dedos os flancos pouco a pouco, confirmando se a posição da espuma está correcta e uniforme ao longo de ambas as faces da roda. Com tudo montado, e antes de se proceder à colagem do conjunto, é fundamental verificar se está tudo no seu sítio. Para isso, rola-se a roda à mão sobre uma superfície lisa, exercendo uma ligeira pressão. Desta maneira, corrigem-se as pequenas irregularidades que a roda possa ter. lembramos uma vez mais: o importante é que rode redonda.
- para a colagem dos pneus à jante usa-se cola de cianocrilato. Existem diferentes tipos, uns mais fluidos que outros. Os mais fluidos são mais rápidos e os mais espessos demoram mais tempo a colar. Para as rodas é aconselhável usar os mais fluidos. Advertência: para trabalhar com cianocrilato é preciso usar óculos de protecção.
- uma vez colocados correctamente os flancos, aplica-se um pingo de cola, afastando um pouco o pneu da jante. Repete-se o processo a cada 2 cm, aproximadamente, a distância que o pingo de cianocrilato consegue cobrir, até se completar a circunferência da roda. Quando estiver seco, faz-se o mesmo do outro lado da jante.
- para garantir uma colagem perfeita e uma união sólida do pneu à jante, pode-se usar um pedaço de fita adesiva para apertar o pneu contra a jante. Também se pode utilizar uma braçadeira ou uma caixa específica para colar pneus. Deixa-se em repouso até que a cola seque e tem-se um pneu correctamente montado.
- nas lojas de automodelismo vendem-se utensílios muito simples que permitem uma colagem fácil, rápida e precisa. Se só é preciso colar um conjunto, estes utensílios não fazem falta, mas para quem participa em competições e tem muitos conjuntos de pneus para colar são uma grande ajuda.

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