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A embraiagem é uma das partes mecânicas fundamentais da transmissão de um carro de rádio control porque, entre outras coisas, lhe permite permanecer com o motor a trabalhar sem que o modelo ande. Também está intimamente associada às performances do motor, de tal maneira que se diz que «um bom motor com uma má embraiagem proporciona umas performances medíocres».
A embraiagem utilizada em automodelismo é de tipo automático-centrifuga e está colocada mesmo ao lado do volante de inércia; isto significa que se acopla e desacopla sem ser preciso fazer qualquer operação com o emissor de rádio control. As embraiagens dos modelos de rally são, na sua maioria, das denominadas multipontuais, porque as reguláveis só se utilizam nas modalidades de Pista. A denominação de multipontuais explica-se por terem várias sapatas para funcionarem, que costuma ser de duas a cinco; como regra geral, utiliza-se um maior número de sapatas em pistas com melhor aderência e vice-versa. Uma embraiagem de duas sapatas proporciona uma aceleração progressiva e uma grande facilidade de condução. Uma com cinco sapatas faz com que o carro saia catapultado como um foguete ao acelerar. A embraiagem é constituída pelas mencionadas sapatas, que se inserem no volante de inércia mediante uns eixos sobre os quais rodam, permanecendo unidas através de uma mola ou um sistema elástico. Quando o motor funciona ao ralenti, a força das molas que prendem as sapatas é maior que a força centrifuga gerada pela rotação do motor e, por isso, estas não se movem.
Em contrapartida, quando se acelera , a força centrifuga vence a força exercida pelas molas e as sapatas separam-se e tornam-se solidárias com a campânula da embraiagem. Nesse momento acopla-se a transmissão do carro e este põe-se em movimento.
Visto isto, é fácil compreender a importância que tem o conhecimento e a afinação da embraiagem, pois uma afinação errada pode provocar um funcionamento incorrecto do modelo.
- existem muitos tipos de volantes de inércia; uns constam de duas partes e outros são monobloco. Esta diferença não tem praticamente importância no funcionamento da embraiagem. O que é realmente importante é o numero de sapatas e a sua colocação.
- por vezes, sobretudo quando se troca de motor, pode acontecer não haja espaço suficiente para a campânula ou, pelo contrario, que fique uma folga lateral considerável. No primeiro caso é preciso usar um cone mais estreito. No segundo, colocam-se anilhas entre o cone e o motor.
- para um correcto funcionamento da embraiagem é muito importante que a campânula não roce em qualquer sitio. Para evitar este atrito intercalam-se anilhas entre o volante de inércia e os rolamentos da campânula. Esta, ao girar, deve fazê-lo com total liberdade.
- uma embraiagem centrifuga apresenta um volante de inércia, que é onde assentam as sapatas, que costumam ser de teflon ou de um material semelhante. O sistema de retenção destas consiste numa ou várias molas. Também existem os rolamentos e a campânula com os pinhões que engancham com a transmissão.
- a manutenção do volante de inércia é muito simples e consiste numa limpeza regular. Para isso é ideal utilizar um pincel. Se penetrou gordura ou óleo, humedece-se com álcool, evitando que este chegue aos rolamentos do motor.
- as sapatas são os componentes essenciais da embraiagem e é possível trabalhar com elas para modificar as características da embraiagem sem alterar qualquer outro parâmetro. Costumam ser brancas ou pretas; estas ultimas têm carbono e duram mais tempo.
- é possível retirar peso às sapatas. Esta operação realiza-se com um cortante, tirando material pela parte interior das sapatas. Seja qual for o numero de sapatas da embraiagem, devem ter todas aligeiradas na mesma medida. Em geral, há que evitar reduzir a superfície de contacto entre as sapatas e a campânula. Com o aligeiramento interno a embraiagem demora mais a contactar com a campânula. Assim, o motor tem que atingir uma rotação mais elevada e as acelerações são mais fulgurantes.
- em geral, as sapatas montam-se quando o passador ou eixo de fixação está situado à esquerda visto de frente, isto é, à frente do sentido de rotação do motor. Esta montagem faz com que as sapatas entrem em contacto com a campânula de forma progressiva. Utiliza-se em pistas com pouca aderência. Quando o eixo de fixação das sapatas está situado depois da mesma, ou seja, à direita visto de frente, então funciona de uma maneira muito diferente. A embraiagem entra em acção mais tarde e de uma forma muito mais brusca. Utiliza-se em pistas com muita aderência e no asfalto limpo.
- quem possuir varias embraiagens com diferentes números de sapatas, pode trocá-las de acordo com as condições. Assim, uma embraiagem de duas sapatas com uma mola a rodeá-las só se utilizará em pistas com pouca aderência. A de três é ideal depois de se adquirir a pratica suficiente como piloto. A de cinco sapatas está reservada para pistas com uma grande aderência.
- para que a embraiagem funcione bem é preciso verificar o desgaste das sapatas. Um desgaste de 1mm de espessura é muito importante. Sempre que for preciso trocar as sapatas, deve-se trocar o conjunto todo para que a embraiagem fique bem compensada.
- as sapatas não exigem uma grande manutenção. Devem limpar-se periodicamente com um trapo embebido em álcool, incidindo principalmente na superfície de contacto com a campânula. Isto evita que patine; se a superfície estiver muito suja pode-se usar uma folha de lixa de grão muito fino.
- há que verificar se as molas não entram em contacto com a campânula, coisa que se nota de imediato, porque esta ficará marcada. Se isto acontecer, rebaixa-se um pouco o canal de apoio na sapata, pois o que acontece é que sobressai da mesma.
- as molas não requerem qualquer manutenção. É necessário trocá-las depois de se correr todos os fins de semana durante dois ou três meses. O seu principal inimigo é os sobreaquecimentos que se produzem por contacto com a campânula; se assim for, é preciso trocá-las.
- as embraiagens são guiadas por dois tipos de rolamentos: de esferas ou de agulhas. Os primeiros são os mais fiáveis, têm menos folgas e melhores performances. A sua manutenção limita-se à limpeza externa e lubrificação com um pingo (não mais) de óleo.
- a campânula tem de ser limpa e desengordurada com álcool. Também se pode passar com uma lixa de grão fino para aumentar a aderência com as sapatas. O interior da campânula nunca deve ser lixado. Outro ponto que exige uma inspecção visual são os pinhões, que se desgastam bastante com o uso.

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