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Extraccao do volante de inercia

O volante de inércia é uma das peças mecânicas do modelo que permite que o motor aplique a sua potência para transmitir o movimento às rodas. A sua posição permite identificá-lo facilmente, pois encontra-se sempre no veio da cambota, à saída do motor.
O volante de inércia é uma peça circular, com um orifício ao centro, onde se aloja um cone que o fixa à cambota.  Nos carros de rally costuma levar dois ou três passadores de aço incrustados onde se alojam as sapatas da embraiagem. Em geral, nos motores glow destinados à categoria de Rally procura-se que sejam o mais leves possível, pelo que costumam ser fabricados com ligas de alumínio. Por norma, quanto mais pesar o volante, maior será o binário debitado pelo motor e menor o número de rotações por minuto a que atinge a velocidade máxima. Para se conseguir um binário mais elevado, ou seja, maiores acelerações, num modelo de rally de rádio control, actua-se nas sapatas da embraiagem. O seu número, assim como a sua forma e a dureza das molas que as mantêm unidas, determinam o comportamento do veículo no arranque e nas acelerações.
O volante de inércia também tem outras aplicações no uso quotidiano de um modelo, pois é fundamental para o arranque dos motores dos veículos que não tem arrancador manual incorporado, dispositivo do qual já falamos e que geralmente consiste num sistema por cabo. Neste caso é preciso recorrer a uma mesa de arranque e, ao girar, a roda de borracha desta entra em contacto com o volante, obrigando-o a dar as primeiras voltas, e acaba por desencadear o arranque do motor.
É por este motivo que a maior parte dos volantes de inércia não tem a superfície da sua circunferência lisa, mas sim estriada para reforçar o atrito e, assim, permitir que o motor pegue mais facilmente.
- qualquer motor glow tem que ter um volante de inércia, que entre outras funções serve de suporte às sapatas da embraiagem. Este elemento é fundamental, pois sem ele o motor não poderia estar a trabalhar com o carro parado.
- as ferramentas necessárias para extrair o volante de inércia são poucas e com certeza que devem existir em qualquer caixa de ferramentas. São as seguintes: chave de tubo nº 10 e um alicate «bico de papagaio». São igualmente necessárias chaves de parafusos, Philips e Allen para retirar o motor.
- começa-se a desmontar o volante de inércia separando o motor do chassis; para isso, afrouxam-se os quatro parafusos que o unem ao chassis pela parte inferior. Há que utilizar a ferramenta adequada pois costumam estar fortemente apertados para não afrouxarem com as vibrações.
- para retirar totalmente o motor do chassis tem que se soltar o tubo de silicone do carburador e a rótula de plástico que une a vareta do servo ao carburador. Depois destas operações o motor fica totalmente livre.
- a seguir é preciso tirar a embraiagem. Começa-se pela campânula, que costuma estar presa com um clip circular ou um parafuso que se aloja no interior do veio da cambota.
Depois de se tirar a campânula fica à vista a face exterior do volante, onde se alojam as sapatas. Estas mantêm-se unidas através de molas, que podem ter diferentes formas, que influenciam o comportamento do veículo.
- se as sapatas tiverem uma mola circular a rodeá-las, para as tirar o melhor é sacar todo o conjunto para fora. Uma vez extraídas do volante, continuarão unidas umas às outras pela mola. É importante fixar bem a sua posição para não as trocar; para se ter a certeza, convêm fazer uma marca. Outra hipótese é que a embraiagem utiliza molas individuais para cada sapata. Isto é habitual em modelos que se destinam sobretudo ao asfalto, porque a resposta é menos progressiva e a entrega de potência imediata. Neste caso será preciso extrair com uma chave de parafusos cada uma delas, incluindo a mola.
- uma vez extraídas as sapatas, há que afrouxar a porca-suporte que fixa o volante de inércia. Para isso agarra-se o volante com um alicate «bico de papagaio», apertando com força. Com a mão direita introduz-se a chave de tubo nº 10 na porca e faz-se rodar no sentido contrario ao dos ponteiros do relógio, com a ajuda de uma chave de parafusos.
- depois de extraída a porca, vê-se se o volante continua fixo no seu lugar. Isso deve-se a um cone que o mantém nessa posição. Há vários métodos para o tirar, o primeiro dos quais consiste em martelar suavemente o volante com um martelo de nylon.
- também é possível extrair o volante utilizando uma chave de parafusos como alavanca, de maneira que a ponta da chave se apoie no volante de inércia e o corpo no bordo do cárter do motor.
- nunca se deve fazer o contrario do explicado no passo anterior, ou seja, alavanca de maneira que a ponta da chave de parafusos se apoie no rolamento do motor e o seu corpo no volante de inércia, pois é mais do que certo que se irá estragar o rolamento.
- não se deve martelar a cambota para sacar o volante se antes se tiver tirado a biela, pois ficaria empenada. Se um volante «se negar» a sair, pode-se tirar a tampa do cárter e desmontar o conjunto. Feito isto, então já se pode martelar a cambota, mas sempre e só com um martelo de nylon.
- depois de retirado o volante de inércia, verifica-se se ainda fica um pequeno cone na cambota. Geralmente é de bronze ou aço. A sua missão, como se viu ao desmontar o volante, é mantê-lo bem fixo e impedir que as vibrações provocadas pelo funcionamento do motor o afrouxem.
- para extrair o cone introduz-se a ponta de uma chave de parafusos pequena, das que se usam para afinar o carburador, na ranhura do cone. Esta operação «abre» o cone e facilita a sua extracção.
- extraiu-se por completo o volante de inércia. Será necessário efectuar esta operação sempre que seja preciso sacar a cambota ou os rolamentos do motor ou, simplesmente, para proceder à limpeza externa do rolamento mais pequeno.
- para a montagem é só seguir as instruções pela ordem inversa, tendo o cuidado de aparafusar muito bem a porca de fixação do volante, na qual se pode deitar um pingo de resina sintética para bloquear os parafusos suavemente. Também é importante verificar a direcção das sapatas de embraiagem e olear os rolamentos.

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