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O volume da câmara de compressão de um motor glow determina em grande medida um bom funcionamento do mesmo. Este volume óptimo pode variar de acordo com uma serie de parâmetros, como a altitude em relação ao nível do mar do local onde nos encontremos, o tipo de vela utilizado ou a quantidade de nitrometano presente no combustível!.
Um motor com um determinado volume de câmara de compressão não funcionará da mesma maneira numa pista situada ao nível do mar e noutra que se encontre a maior altitude. Um caso frequente é habituarmo-nos a corre quase sempre num circuito perto de casa que, por exemplo, está situada a 900 m de altitude e durante as ferias levarmos o nosso magnífico modelo de rádio control de rally para a costa (altitude próxima de zero). O resultado é que a carburação será completamente diferente e, se não aumentarmos o volume da câmara de compressão, teremos que abrir as agulhas do carburador até limites insólitos para que o motor funcione bem. É por isso que é muito importante saber qual é a medida da câmara de compressão do nosso motor, pois com isso poderemos evitar problemas de carburação.
Pode-se dizer, em termos gerais, que quanto maior for a altitude menor será a pressão atmosférica e, portanto, o volume da câmara deve ser menor e vice-versa, ou seja, quando a pressão atmosférica for maior (menor altitude), como é o caso das zonas litorais, o volume da câmara terá que ser maior.
Também se pode estabelecer que quanto maior for a percentagem de nitrometano no combustível maior terá que ser a medida da câmara. Tendo bem presentes estes dois princípios podem-se determinar valores gerais de referencia para o volume da câmara de compressão:
® Para 25% de nitrometano:
Em zonas altas: de 0,25 a 0,40 mm
Em zonas médias: de 0,35 a 0,45 mm
Em zonas baixas: de 0,45 a 0,55 mm |
® Para 16% de nitrometano:
Em zonas altas: de 0,25 a 0,35 mm
Em zonas medias: de 0,30 a 0,40 mm
Em zonas baixas: de 0,40 a 0,50 mm |
- as ferramentas necessárias para medir a câmara de compressão de um motor são poucas: uma craveira, de preferência digital (hoje em dia existe uma grande variedade e não são caras), arame fino e macio de estanho, chave de velas e chave de parafusos. O ideal é ter um medidor de esferas, mas não é imprescindível.
- o primeiro passo consiste em tirar a vela do seu compartimento na cabeça do motor. Para isso usa-se uma chave de tubo n.º 8, como de costume. Esta é a primeira operação que se deve realizar porque se torna mais difícil tirar a vela se se começar por retirar a cabeça do motor.
- quando se tira a vela deve-se aproveitar para ver o estado do filamento. Se tiver um aspecto mate é porque o motor trabalhou muito fino ou porque a câmara é pequena. Se está brilhante, a câmara e a carburação estão correctas. Se está mate e torcido, é mais que certo que a câmara é demasiado pequena.
- seguidamente desmonta-se a cabeça de refrigeração. Geralmente tem quatro parafusos e é muito importante utilizar a chave correcta para não os estragar. Às vezes, os parafusos são sextavados por dentro e nesse caso é preciso usar a chave Allen correspondente.
- depois tira-se a cabeça, que pode estar integrada na cabeça de refrigeração, saindo o conjunto todo, ou ser independente. Nesta caso, é preciso tirá-lo à mão. Em ambas as situações é preciso ter muito cuidado para evitar que entre qualquer resíduo no motor.
- as anilhas ou juntas de descompressão são as peças que servem para alterar o volume da câmara de compressão. Geralmente são feitas de cobre e têm espessuras diferentes. Antes de mais, mede-se a câmara com as anilhas que o motor tenha de origem.
- para que se possa medir a câmara de compressão de um motor glow é necessário colocar o pistão na posição PMS, isto é, no Ponto Morto Superior. Para isso roda-se a cambota até que o pistão atinja essa posição, tendo cuidado para que a camisa não suba.
- com a ajuda da craveira mede-se a distancia entre o bordo superior da camisa e a cabeça do pistão. Há que ter a máxima precisão, pelo que é conveniente repetir a medição várias vezes até se ter a certeza do resultado. Chama-se «X» a essa distância e é expressa em milímetros.
- agora volta-se a utilizar a craveira, mas o objecto da medida é a câmara de compressão. Ao comprimento obtido, que também se expressa em milímetros, chama-se «Y».
- a formula que se utiliza para medir a câmara será X-Y. Esta será a medida real da câmara de compressão do nosso motor glow. Uma vez realizada a operação de medição, volta-se a montar o cabeçote, a cabeça de refrigeração e a tampa do cárter, apertando os parafusos. Cabe recordar que o normal num motor glow é que funcione com um valor compreendido entre 0,4 e 0,5 mm de medida da câmara, para uma altitude media.
- existe um método muito simples para medir a câmara do motor sem ser preciso abri-lo, talvez não tão exacto como o anterior, mas muito utilizado na pratica. Para isso basta tirar a vela e ter à mão arame fino de estanho. Dobra-se um pouco a ponta do arame de estanho e introduz-se no orifício da vela, confirmando que chega até à extremidade do pistão e fica nivelado com a camisa. É fácil sentir isto, pois nota-se uma ligeira resistência do arame de estanho.
- a seguir, faz-se subir o pistão ate ao ponto morto superior sem largar o arame de estanho. O pistão vai esmagar a ponto do arame. Tira-me imediatamente o arame e vê-se que, com efeito, a ponta ficou esmagada ao longo de um comprimento de vários milímetros.
- volta-se a usar a craveira para medir a secção esmagada do arame de estanho. Como a sua espessura é diferente ao longo do esmagamento, mede-se em dois pontos diferentes. A media de ambos dará uma medida aproximada da câmara.
- existe um método muito mais exacto para medir a câmara de compressão de um motor glow, e é através de um medidor centesimal de esferas. Trata-se de um aparelho de extrema precisão mas também muito caro e só usado pelos profissionais. Os dois primeiros métodos são perfeitamente validos, mesmo para a competição.

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