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Montagem e afinacao de uma caixa de velocidades

De todas as melhorias que se podem introduzir num modelo a instalação de uma caixa de velocidades automática é a que pode proporcionar um maior aumento das performances. Hpje em dia existem caixas de velocidades para a maior parte dos veículos de radio control de iniciação que não vêm equipados com uma de origem.

A existência de uma caixa de velocidades proporciona ao mesmo tempo melhores acelerações e uma velocidade de ponta mais elevada, sem que isso prejudique o motor. As acelerações melhoram pelo facto de se utilizar um rapport mais curto em primeira velocidade do que aquele que o carro tem de origem, sem caixa, e assim pode arrancar com menos esforço e puxando menos pelo motor, com um considerável aumento da vida útil da biela. Além disso, obtém-se uma velocidade de ponta mais elevada, pois a segunda velocidade tem um rapport mais longo. Quanto à montagem, de uma maneira geral não oferece dificuldades se se utilizar uma caixa concebida como opção para o modelo em questão. Bastará tirar as rodas de coroa, a campânula da embraiagem e o compartimento do eixo de transmissão. Todas estas peças serão substituídas por outras que ocuparão apenas um pouco mais de espaço e representarão um grande benefício global para o modelo. Depois de montada a caixa, será preciso proceder a duas afinações, uma na oficina, seguindo as instruções do fabricante, e a segunda na pista onde se treina habitualmente, afinando com mais precisão o ponto onde se quer que o motor passe da primeira para a segunda. Outro aspecto a ter em conta é que a caixa de velocidades é incompatível com a sujidade e por isso não pode ser exposta às nuvens de areia que se levantam quando se circula em pisos de terra. Neste caso, ou está protegida dentro de uma carcaça, ou será preciso prescindir dela, pois caso contrário as rodas de coroa acabam por ser partir devido aos grãos de areia entre os seus dentes e os da campânula da embraiagem.

- o espaço que uma caixa de velocidades ocupa é pouco maior que o da roda de coroa, e nesta zona do chassis há espaço suficiente para as duas rodas de coroa, correspondentes a cada uma das duas velocidades. O mesmo acontece com a campânula da embraiagem, que terá dois pinhões.

- é necessário desmontar o motor para instalar a caixa. Começa-se por tirar os quatro parafusos que o fixam ao chassis. Depois de desengatam-se as varetas, o escape e os tubos de silicone, o que alimenta o carburador e o de pressurização do escape.

- para desmontar a campânula da embraiagem é preciso tirar o parafuso que a une à cambota do motor. Há modelos que podem ter um clip circular (mola), embora não seja muito frequente. Troca-se a campãnula por outra mais comprida com dois pinhões, que podem ser fixos ou desmontáveis.

- quando se tira a campânula, se se tratar de um modelo de iniciação, é mais do que certo que se encontra um rolamento de agulhas. Este é suficiente quando não há caixa, mas com a sua instalação será preciso reforçar esta zona e em vez do rolamento de agulhas original colocam-se dois rolamentos de esferas com as mesmas dimensões. Não importa que o modelo tenha transmissão integral por correntes ou por cardan. Em ambos os casos pode-se colocar a caixa, pois esta instala-se no eixo intermédio da transmissão e não interfere com as correntes ou os semieixos.

- é preciso desmontar o eixo intermédio da transmissão, que aloja a roda de coroa. Em geral, basta tirar um clip circular num dos lados que o fixa à placa e afrouxar o pinhão que transmite a energia gerada pelo motor a partir do eixo principal deste, seja da roda de coroa do diferencial ou do eixo rígido.

- como já se disse, existem dois tipos de caixas: de «unha» e de massas ou sapatas. No primeiro caso coloca-se o suporte de alumínio (denominado tambor) onde se aloja a «unha» no novo eixo e fixa-se para o tornar solidário com este.

- quando se atinge uma velocidade suficiente, a força centrífuga vence a força da mola que pressiona a «unha» e esta abre-se, ficando bloqueada com um passador que existe na campânula que aloja a roda de coroa da segunda velocidade. A seguir, coloca-se a roda de coroa da primeira velocidade, na qual se instalou um rolamento «one way», ou seja, de sentido único, para que fique livre quando a velocidade for elevada e engrene a roda de coroa da segunda velocidade. Este rolamento tem que ser lubrificado com um tipo de óleo específico para estes casos.

- depois de se montar a caixa montam-se os restantes elementos da transmissão, como as poleiras e correntes que transmitem a potência do motor até ao eixo dianteiro, localizadas nesta zona.

- o outro tipo de caixa, o de sapatas, em vez da «unha» tem duas massas ou sapatas, geralmente de um material à base de teflon, unidas por dois parafusos que, por sua vez, têm umas molas no interior, instalando-se todo o conjunto num suporte que se fixa ao eixo intermédio através de um passador de aço.

- é muito importante apertar os dois parafusos com mola exactamente da mesma maneira para que exerçam a mesma pressão de ambos os lados e as sapatas se abram ao mesmo tempo quando a velocidade do eixo ultrapassa a força da mola. Quanto mais apertados ficarem maior será a velocidade necessária para passar à segunda velocidade.

- quando se trocam as sapatas é costume instalar-se em primeiro lugar a roda de coroa da segunda velocidade com a sua campânula; a seguir coloca-se o passador e inserem-se as sapatas no eixo intermédio da transmissão. Há que prestar especial atenção para que as sapatas não toquem na campânula nem fiquem com folga a mais. As sapatas têm parafusos de afinação.

- na roda de coroa da primeira velocidade instala-se o suporte, que inclui, como no sistema anterior de caixa, um rolamento «one way», e insere-se no próprio veio da transmissão. Para concluir a operação de montagem da caixa coloca-se geralmente um clip circular na extremidade do veio que permite uma mobilidade total das rodas de coroa e uma folga lateral (de décimas de milímetro) do veio. Por último, volta-se a montar o motor, já com a nova campânula com dois pinhões. Para que a caixa funcione correctamente é fundamental que não haja nem demasiado atrito nem folga a mais. No primeiro caso os pinhões gastam-se e as performances pioram. No segundo, as pontas dos dentes das rodas de coroa desaparecem num curto espaço de tempo.

- a caixa já está intalada no modelo. Agora só falta ir para a pista e escolher o momento em que se quer que as mudanças engrenem ou desengrenem. É de recordar que se afrouxar a «unha» ou os parafusos das sapatas a mudança para segunda ocorrerá mais cedo e, se se apertar, mais tarde.

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