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O cabo de arranque, se o motor dispõe deste dispositivo, é um dos elementos que convêm conhecer na perfeição. A razão é muito simples, pois com o tempo será preciso substituir algumas das suas partes porque se vão gastando com o uso continuado.
O elemento do conjunto do sistema de arranque que mais sofre e, consequentemente, aquele que tem a vida mais curta, é o cabo. Se se partir em pista e não se tiver preparado uma corda é quase certo que não se poderá continuar a competir. O problema prende-se com o facto de a corda se introduzir no mecanismo e para a trocar ser preciso tirar o motor do chassis e desmontar o conjunto.
Embora pareça complicada, a operação é simples e, aprendendo o processo, qualquer um poderá reparar a avaria. Isto evita ter que se levar o motor a reparar ou mesmo adquirir outro cabo. Só se deve comprar outro quando o nosso estiver muito deteriorado ou tenha sofrido um golpe considerável e partido parte dos componentes. Um arrancador manual é formado por uma tampa de plástico ou metal que é solidária com o cárter do motor e une-se a ele por quatro parafusos. O mecanismo de arranque encontra-se situado na própria tampa do cárter, que por este motivo é maior do que o necessário; o seu aspecto exterior é o de uma placa metálica. Havendo curiosidade em conhecer o seu funcionamento, tiram-se os outros quatro parafusos que fixam a tampa ao cárter do motor. Vê-se, então, um eixo que faz o prolongamento da cambota e que se insere na tampa de plástico através de um rolamento de sentido único de rotação denominado one-way. Este costuma estar introduzido à pressão num corpo hexagonal que o fixa à tampa.
Uma mola de aço enrolada em espiral faz a recuperação da corda e encontra-se no fundo da tampa, enquanto à sua volta se enrola a corda do sistema de arranque no seu tambor rotativo.
- os sistemas de arranque manuais encontram-se em todo o tipo de motores glow (excepto nos de competição) e nas cilindradas mais variadas, de 2 a 3,5 cc. A facilidade de uso, a leveza e a fiabilidade são os seus melhores trunfos.
- se for preciso desmontar o conjunto porque a corda se partiu, que é a avaria mais frequente, a primeira operação a realizar é separar a tampa que se vê na imagem. Para isso retiram-se os quatro parafusos que a unem ao motor.
- antes de se começar a montagem há que ter em atenção a composição especial das cordas. No caso de se partir, se não se tiver uma corda sobressalente, não se deve tentar usar uma corda normal, porque se partiria em pouco tempo. As cordas específicas para os sistemas de arranque são muito mais resistentes.
- uma vez retirada a tampa, dentro encontra-se uma mola de aço enrolada em espiral, a corda e o suporte de ambas, que é uma espécie de tambor. Se a corda se partiu, o mais habitual é que a mola tenha saído do seu compartimento.
- se for preciso trocar a mola de aço, há que enrolá-la sobre si mesma para se obter um círculo com aproximadamente 2 cm de diâmetro. Começa-se por o enrolar com as mãos, evitando que se solte, pois pode provocar ferimentos graves porque armazena bastante força. Como é muito difícil manter a mola enrolada nesta posição com os dedos, o ideal é utilizar um alicate para prender a mola. Assim é possível preparar as restantes peças sem preocupações.
- a operação seguinte consiste em introduzir a mola de aço enrolada na tampa de plástico ou metal que aloja o mecanismo. Para isso continua-se a prender a mola e introduz-se no fundo da tampa, alojando a ponta da mola na ranhura que se destina a prendê-la. Há que ter muito cuidado ao abrir o alicate porque se a mola salta é preciso voltar ao princípio da operação. A ponta deve estar situada na posição correcta e a mola de aço deve ocupar o fundo da tampa do sistema de arranque.
- o passo seguinte consiste em enrolar a corda à volta do tambor, depois de previamente introduzida pelo orifício existente na tampa. Faz-se isto no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Enrola-se a corda toda excepto os últimos 15 cm.
- no centro do tambor há uma ranhura que serve para fixar a mola numa das extremidades que ficou livre. Por vezes, a mola já tem uma determinada forma que facilita esta operação.
- a seguir coloca-se o tambor com a corda dentro da tampa do sistema de arranque, de maneira que a ranhura do tambor e a mola coincidam. Há que efectuar esta operação com muita atenção, tentando acertar logo à primeira. Uma vez tudo montado, é preciso verificar se a mola de aço ficou correctamente alojada no seu sítio no tambor. Para isso puxa-se com cuidado a corda do sistema de arranque.
- depois puxa-se a corda pelo interior da tampa do puxador, para ficar a fazer força sobre a mesma. Antes disso foi preciso montar o cabo do puxador, dando dois nós para o prender firmemente de maneira a evitar que se escape.
- o tambor tem uma marca na sua circunferência exterior: é para passar a corda e a colocar. Para isso roda-se o tambor no sentido contrario ao dos ponteiros do relógio, pelo menos quatro voltas.
- agora solta-se a corda do compartimento do tambor, deixando que se enrosque suavemente nele. O resto da corda que ficou de fora enrola-se ao mesmo tempo que o tambor e o cabo fica junto à caixa.
- falta apenas verificar o funcionamento perfeito do sistema de arranque antes de o montar no motor. Para isso puxa-se a corda até ao limite do seu comprimento, evitando que qualquer das peças saia do seu lugar. Assim que se larga o cabo, a corda deve retomar a sua posição original.
- por ultimo, para concluir a montagem interna, insere-se o hexágono interior, o que tem a roda livre. Embora os passos a dar sejam muitos, são simples e toda esta operação não deve demorar mais de meia hora.
- o conjunto assim montado instala-se no motor, enroscando os quatro parafusos que fixam ao mesmo. Como se pôde ver, o sistema de arranque, ou arrancador manual, é formado por poucas peças e a única dificuldade que a sua instalação pode apresentar é a força da mola.

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