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a escolha das velas no radiomodelismo

Aparentemente, as velas parecem ser componentes insignificantes do motor. No entanto, têm uma importância decisiva no seu comportamento, nas suas performances e tanto podem facilitar como dificultar a sua carburação.

Uma má escolha da vela para um determinado motor pode fazer com que este seja difícil de arrancar, o carro não tenha potência em aceleração ou a sua velocidade de ponta seja reduzida. Além das características do motor, outro factor a ter em atenção na escolha de uma vela é a temperatura ambiente. Em primeiro lugar, é preciso conhecer perfeitamente o motor, a sua cilindrada, a percentagem de nitrometano que a mistura de combustível contém e a utilização que se lhe vai dar. As velas são classificadas em frias e quentes, mas como é que se indentifica isto? Ora bem, no corpor da vela, numa das faces do hexágono onde se encaixa a chave para a enroscar ou desenroscar, a maior parte dos fabricantes grava um número. Este número pode variar de um fabricante para outro, mas de maneira geral as velas usadas em automodelismo vão do número 4 ao 8, de maneira que quanto menor for o número, mais quente é a vela, ou seja, a sua resistência térmica é menor e proporciona uma melhor combustão a baixos e médios regimes. Consoante o motor e a utilização que se lhe dê, o número da vela que se pode considerar intermédio entre fria e quente é variável, mas oscila entre uma vela de número 5 e uma de número 6. Assim, num motor de 2 cc, uma vela 5 é muito fria, ao passo que num motor de 3,5 cc já é quente.

- existem diferentes tipos de velas para os motores glow que se utilizam em automodelismo, mas identificam-se facilmente porque têm um número marcado que indica as suas características térmicas ou têm uma determinada forma quando se trata das velas especiais para os motores turbo. É esse número que marca o grau térmico da vela, ou seja, a espessura do filamento que fica incandescente quando o motor está em funcionamento.

- para se saber qual é o grau térmico de uma vela é preciso tirá-la do motor com uma chave de tubo número 8. Guarda-se uma chave na caixa de ferramentas pois a vela pode falhar a qualquer momento, ou simplesmente, para verificar a carburação do motor.

- nos carros à escala de 1/10 usam-se velas dos números 3,4 e 5. A número 3 é a mais quente e a 5 a mais fria. A utilização de uma ou de outra depende de vários factores, sendo o primeiro deles o estilo de condução, pois em corrida tende-se a usar uma vela mais fria.

- a percentagem de nitrometano utilizada no combustível influencia o tipo de vela, de maneira que quanto maior for a percentagem de nitrometano mais fria deverá ser esta. Um motor de 2 a 2,5 cc de cilindrada deve levar de 10 a 16% de nitro.

- uma vela quente (no caso dos carros à escala 1/10, as dos números 3 ou 4) facilita o arranque do motor e a explicação é simples: porque o seu filamento aquece rapidamente assim que se coloca o cachimbo de vela e o motor arranca logo que se puxa o cabo do starter.

- este tipo de vela quente produz uma melhor resposta do motor a baixos e médios regimes, ou seja, favorece as acelerações. Contudo, o carro pode não alcançar a velocidade suficiente se o circuito tiver uma recta longa porque em circuitos rápidos é necessário usar velas mais frias.

- os modelos à escala 1/8 utilizam elas com uma numeração maior, que vai geralmente do número 5 ao 8, porque a cilindrada do motor também influencia o tipo de vela e um motor de 3,5 cc de cilindrada precisa de velas com filamentos mais grossos, que resistam às altas temperaturas que se geram.

- alguns carros das escalas 1/8 e 1/10 de competição utilizam um tipo de velas que são diferentes, tanto pela sua forma como pelas suas performances. A estas chamam-se velas turbo e utilizam-se com cabeçotes especiais, também chamados turbo, que se adaptam à sua especial forma cónica.

- se houver problemas no arranque do motor a primeira coisa a fazer é verificar se a vela está em perfeitas condições. Para isso começa-se por confirmar se fica incandescente tirando-a do motor e ligando-a ao cachimbo de vela altura em que o filamento deve ficar logo ao rubro.

- a verificação seguinte consiste em observar se o filamento está em bom estado. Com a vela na mão, um exame atento permite ver se está brilhante. Se estiver mate, a carburação não é correcta porque a agulha de máximo está demasiado fechada.

- outro dos problemas que uma vela pode apresentar é a falta de estanquecidade da câmara de combustão, caso em que sai combustível pela vela. Neste caso, a «culpa» é das anilhas de cobre das velas clássicas que, ao se deteriorarem, deixam passar parte dos gases que se queimam na câmara. O resultado é uma perda das performances do motor.

- além da numeração, as velas turbo frias e quentes distinguem-se porque podem ter uma forma diferente. Assim, uma vela com o número 5 pode ser fria ou quente e a distinção faz-se então a partir das iniciais TF ou TC. As primeiras têm o corpo mais pequeno e a espessura do hexágono de aperto com a chave também é menor.

- quando o motor não arranca e, depois de se tirar a vela, se vê que esta não tem filamento, significa que este caiu na câmara de combustão. Neste caso é preciso desmontar logo a cabeça e proceder a uma limpeza interior, pois o filamento pode riscar a camisa e o pistão.

- recomenda-se guardar as velas numa caixa própria para o efeito e marcá-las convenientemente. Separam-se as novas das usadas só numa corrida e das que têm mais horas em pista. Esta é a melhor maneira para tirar o melhor partido delas.

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