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Afinacao da suspensao em funcao da pista

A correcta afinação da suspensão de um carro de radio control às peculiaridades de cada pista é um aspecto que os iniciados consideram tão enigmático como a física quântica.

A correcta afinação da suspensão às características de um circuito é um tema que assusta os iniciados. No entanto, seguindo o simples método de regulação que se explica nestas linhas e combinando-o com as afinações dos ângulos e parâmetros da geometria da suspensão, qualquer pessoa poderá acabar por se tornar especialista na afinação sem grandes dificuldades. Para que veículo tenha um comportamento adequado em pista é necessário, em primeiro lugar, que todos os seus componentes estejam correctamente montados.

Uma montagem cuidada é fundamental para que depois o modelo tenha a estabilidade esperada. Portanto, a primeira coisa a fazer é levar a cabo uma verificação mecânica do modelo, quer este seja novo ou já tenha uma boa quantidade de quilómetros nas rodas. Num modelo bem montado, os braços da suspensão devem cair pelo seu próprio peso quando não têm amortecedores nem rodas; esta é a primeira regra geral. A partir daqui será possível conseguir que as suspensões funcionem na perfeição com a adopção da configuração básica, isto é, das regulações de partida do carro, que são especificadas na maior parte dos modelos de radio control quando estes são adquiridos. Seja como for, quem não tiver estas afinações básicas não deve ficar preocupado.

Dado que um carro de Rally pode circular pelos mais variados tipos de pisos, sejam eles de asfalto ou terra, a afinação da suspensão para um ou outro caso varia consideravelmente e há que contar com a intervenção de numerosos parâmetros. Uma vez estudados estes e os seus efeitos, a afinação em qualquer das duas situações será relativamente simples.

- os elementos que são precisos para afinar a suspensão são uma placa de madeira plana, um pouco maior que as dimensões do modelo, e outra tábua plana da espessura do chassis (de 6 a 10 mm) e com o comprimento deste. O mais habitual é fazer estas placas com contraplacado. As ferramentas necessárias são poucas e devem existir na caixa das ferramentas. São as seguintes: uma craveira, uma fita métrica (com um metro é suficiente) e duas chaves Allen de 2 e 2,5 mm. Para alguns modelos, além das chaves talvez seja preciso uma chave Phillips e também há que contar com uma chave para tirar as rodas.

- a primeira operação a realizar é retirar as rodas, os amortecedores e as barras estabilizadoras, se o modelo as tiver. Guardam-se todos os elementos desmontados numa caixa para evitar que se percam parafusos e outras peças pequenas. Depois coloca-se o chassis em cima da tábua plana.

- verifica-se se não existe qualquer ponto de resistência em todo o curso da suspensão, tanto no eixo traseiro. Para isso, levanta-se cada um dos trapézios do carro e observa-se se caem pelo seu próprio peso.

- se isso não acontecer, significa que há um eixo empenado, que se apertou de mais um dos parafusos dos trapézios ou que se bloqueou excessivamente a manga do eixo. Em qualquer destes casos será preciso desmontar o conjunto que apresente problemas e resolvê-los.

- se o modelo possuir trapézios reguláveis em largura há que medir o comprimento desde o centro do chassis até cada manga de eixo. Tem que existir a mesma distância num lado e no outro, ou seja, tem que haver simetria. Se tal não acontecer, há que apertar ou afrouxar as esferas das mangas de eixo ou as varetas dos trapézios, consoante o sistema do modelo. Quando se apertam as esferas, a distância diminui. É necessário fazer isto tanto no trapézio superior como no inferior para não modificar os ângulos de queda.

- o passo seguinte consiste em medir a distância das mangas de eixo ao solo. Para tal, mede-se com a craveira a distância entre a tábua e a parte inferior de cada manga de eixo. É muito importante que esta distância seja a mesma em cada manga de eixo do mesmo eixo, ou seja, que a medida da esquerda e da direita do eixo dianteiro coincidam e o mesmo no eixo traseiro.

- se as distâncias das mangas de eixo ao solo de um mesmo eixo não forem iguais (em automodelismo esta distância denomina-se «down stop»), actuar-se-á nos limitadores da suspensão. Se as mangas de eixo ultrapassam a tábua e não se pode medir este parâmetro, coloca-se a tábua pequena por baixo do chassis para o levantar.

- feito isto, colocam-se as quatro rodas e os quatro amortecedores e volta-se a pôr o carro na tábua plana grande. É preciso ter a certeza de que o diâmetro das quatro rodas é idêntico, pois caso contrário pode dar medidas erradas que acabam por se traduzir numa falta de estabilidade.

- pega-se numa chave de ponta fina, uma Allen por exemplo, coloca-se na parte dianteira central do chassis e levanta-se o eixo dianteiro. Depois deixa-se cair pouco a pouco até que as rodas toquem na tábua. Ambas devem tocar ao mesmo tempo.

- se uma roda tocar antes da outra, por exemplo a esquerda antes da direita, então aumenta-se a pressão da mola esquerda do amortecedor (apertando a porca de afinação ou colocando mais uma anilha de pressão), mas do eixo traseiro. Ao mesmo tempo, reduz-se a pressão do amortecedor traseiro do lado direito para que a altura não varie. Realiza-se a mesma operação com o eixo traseiro, levantando-o com uma chave fina. Se as rodas não tocarem ao mesmo tempo quando se deixa cair, neste caso será preciso intervir no eixo dianteiro. Por exemplo, se a roda esquerda é a primeira a tocar, aumenta-se a pressão da mola do amortecedor dianteiro do lado esquerdo e reduz-se a do dianteiro do lado direito até que o contacto seja simultâneo.

- a altura ao solo do modelo é um parâmetro muito importante e varia consoante o piso. Se se trata de asfalto, deixa-se o carro à minima altura possível sem que o chassis chegue a roçar no chão e a suspensão tenha um curso efectivo. No caso de se rodar por pistas de terra, há que aumentar a distância ao solo e, para isso, colocam-se anilhas de pressão nas molas dos amortecedores ou, então, apertam-se as porcas de afinação dos mesmos, consoante as características do modelo.

- em pistas de asfalto utiliza-se um óleo mais denso nos amortecedores. Na maior parte dos modelos os suportes dos amortecedores podem ser fixados em várias posições. Para o asfalto é conveniente que fiquem o mais inclinados possível, sobretudo os da frente.

- para pistas de terra deve-se usar um óleo muito fluido nos amortecedores. Ao contrário da situação anterior, colocam-se os amortecedores numa posição quase vertical para que o modelo se comporte de forma correcta neste tipo de pisos.

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