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As varetas da direcção formam o conjunto de elementos mecânicos que transmitem o movimento do servo ao sistema de direcção para que as rodas virem. A importância de uma correcta regulação destas varetas ou braços influencia decisivamente o comportamento da direcção e, no entanto, a maior parte dos praticantes que se iniciam no automodelismo não costuma prestar-lhe a devida atenção.
Quando um modelo de radio control não circula em linha recta com o volante da direcção na posição neutra, não vira o suficiente ou derrapa com excessiva frequência, antes de se rever outro elemento mecânico é preciso verificar o sistema das transmissões intermédias formado pelas varetas da direcção. Consoante o sistema utilizado o tipo de varetas pode variar, embora na maior parte dos carros de Rally se empregue o mesmo sistema que nos veículos de Todo-o-Terreno de competição. Este é formado pelos seguintes elementos: o braço do servo está unido a uma vareta mediante um mecanismo móvel, que costuma ser uma rótula, que por sua vez se une a uma peça em forma de «L» que inclui o salva-servos. Geralmente, esta é formada por dois eixos perpendiculares e aparafusados ao chassis, unidos por uma barra, e num deles encontra-se um sistema elástico denominado salva-servos.
No braço livre do «L» encaixam-se as varetas da direcção que vão dar aos braços das mangas de eixo das rodas esquerda e direita, respectivamente. Tanto os referidos braços como a peça em forma de «L» costumam ter vários orifícios que permitem modificar o comportamento dinâmico da direcção. Para que na transmissão do movimento não se perca uma parte significativa da potência do servo e exista uma ampla mobilidade, todo o sistema de reenvios é articulado através de rótulas.
- com o modelo montado, desmontam-se as varetas da direcção e verifica-se se têm as duas o mesmo comprimento (no caso de serem reguláveis). Em geral, constam de uma barra metálica com rosca e duas rótulas nas extremidades.
- se as varetas da direcção tiverem um comprimento exagerado, isto faz com que as rodas não fiquem paralelas, mas sim apontadas para dentro. A isto chama-se de convergência. Num modelo com quatro rodas motrizes a direcção não pode apresentar qualquer convergência. Pelo contrário, se as varetas da direcção são demasiado curtas, as rodas também não ficam paralelas, mas sim a apontar para fora; a isto chama-se divergência. Por vezes, o comportamento do carro melhora com uma ligeira divergência no eixo dianteiro, mas é aconselhável que não ultrapasse os dois graus.
- os braços das mangas de eixo costumam ter vários orifícios para inserir as rótulas das varetas da direcção. Ao princípio é aconselhável seguir os conselhos do fabricante, mas mais para a frente pode-se modificar a disposição e ver as consequências na pista de treinos.
- antes de se colocar o braço do servo da direcção liga-se o comando da direcção a zero (posição neutra). Isto é importante porque se depois se quiser introduzir alguma modificação o ponto neutro da direcção estará perto do centro.
- o braço do servo tem vários orifícios que servem para encaixar a rótula da vareta que vai até ao braço do salva-servos. O orifício mais afastado do centro proporciona um maior ângulo de viragem às rodas, mas com uma menor potência do servo. Pelo contrário, o orifício mais próximo dá mais potência mas menor ângulo de viragem. O habitual é pô-lo a 1,5 cm do centro.
- depois de escolhido o orifício, coloca-se a rótula ou esfera metálica com um parafuso. A seguir coloca-se o braço do servo numa posição perpendicular ao eixo longitudinal do modelo. Assim ficará com cursos idênticos ao virar para a direita ou para a esquerda.
- o passo seguinte consiste em regular o comprimento da vareta que liga o braço do servo ao salva-servos. Para se fazer isto, coloca-se o modelo com as rodas a direito, com o emissor ligado e o braço do servo no seu sítio. O comprimento correcto é muito fácil de determinar, pois alonga-se ou encurta-se a vareta até que coincida com a posição recta das rodas.
- a maior parte dos emissores de rádio à venda no mercado, mesmo os de iniciação, permite numerosas afinações. O potenciómetro ST D/R regula o que se denomina «Dual Rate», que mais não é do que um limitador da rotação máxima do servo em ambos os sentidos. Serve para aumentar ou diminuir a sensibilidade da direcção do carro.
- os dois potenciómetros deste emissor de iniciação marcados com as siglas ST.EPA servem para limitar o curso independente para cada lado. O da direita limita o ângulo de rotação para este lado e o da esquerda o do lado contrário. Mantém-se o emissor ligado e vira-se o volante para ambos os lados. As rodas têm que virar ao máximo, mas sem forçar e sem que as varetas nos braços das mangas de eixo. Actua-se no potenciómetro ST D/R se a direcção for excessiva.
- a operação seguinte consiste em efectuar uma afinação fina do curso de cada lado. Para isto, agora vira-se o volante para o lado direito. Se agora se actuar no potenciómetro ST.EPA R pode-se ver como aumenta ou diminui o ângulo de viragem. O correcto é permitir a maior viragem sem chegar a forçar.
- realiza-se depois a mesma manobra com o volante virado para a esquerda. Estes cursos máximos do servo são muito importantes pois umas rodas que viram demasiado provocam um maior consumo do servo, e o seu sobreaquecimento e um rápida deterioração da electrónica e dos pinhões do mesmo.
- quando se larga a direcção o modelo tem que ficar com as rodas a direito e quando se acelera não deve fugir nem para um lado nem para o outro; essa caracteristica regula-se com o trim da direcção, presente em todos os emissores de rádio, e é muito importante para se poder anda com um modelo de radio control a velocidades elevadas. Às vezes, e depois de uma afinação correcta da direcção, pode acontecer que esta fique lenta e imprecisa e dê a sensação de que o eixo dianteiro «flutua». Geralmente isto deve-se ao uso de servos com a força mínima indispensável para mover a direcção. Nestes casos, um servo com uma potência de 5 Kg resolverá o problema.
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