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Descolar os pneus

Os pneus são daqueles elementos do veículo que mais se desgastam. Por outras palavras, após algumas horas de andamento começam a perder qualidades e isso acaba por se repercutir consideravelmente na estabilidade e nas performances do modelo.

O desgaste de um pneu traduz-se numa dificuldade acrescida à condução, além de impedir que o carro desenvolva todo o seu potencial, pois nas rectas, com o modelo lançado a toda a velocidade, o pneu incha e provoca a perda de controlo do modelo e a consequência mais provável será um acidente espectacular. O efeito negativo do desgaste também se faz notar nas curvas, pois não vira o suficiente ou então sai de traseira imprevisivelmente.

Sempre que se note uma falha de comportamento importante no carro, a primeira coisa a fazer é verificar os pneus. Se estiverem demasiado gastos, com os bordos laterais danificados ou mesmo descolados, podem fazer com que o nosso estimado modelo de Rally se torne ingovernável. Os pneus utilizados nos modelos de Rally são de borracha ou cauchu, muito semelhantes aos reais tanto na forma como pelas suas características. Até os desenhos da faixa de rodagem se assemelham aos dos pneus dos automóveis reais de competição de rallies.

A principal diferença reside no seu interior, pois em vez de levarem ar contêm uma espécie de espuma que produz o mesmo efeito na roda.

De um modo geral, nas lojas especializadas em automodelismo de radio control encontram-se as rodas já montadas nas jantes e prontas a rodar, mas às vezes pode ter interesse descolar uns pneus velhos. Esta operação realiza-se por duas razões principais: para aproveitar as jantes, com a poupança que isso pressupõe, ou para se ficar com uns pneus soltos, o que é frequente no mundo do automodelismo, seja porque foram comprados baratos, para aproveitar uma oportunidade ou então porque alguém os ofereceu.

- existem dois métodos principais que se utilizam para descolar os pneus de Rally. Um é mergulhá-los em acetona. Além deste produto, são ainda precisos: uma chave de parafusos, um recipiente, uma pinça, luvas de látex e um cortante.

- o segundo método consiste em introduzir o pneu numa panela de pressão e cozê-lo no fogão, como se se tratasse de lentilhas. Para isto é preciso é uma panela de pressão e água.

- para que o primeiro método seja simples, é preciso ter um recipiente com uma boa base, não muito alto e de gargalo largo. Além disso, deve fechar hermeticamente porque a acetona é um composto muito volátil. Também tem que ter capacidade suficiente para, pelo menos, um conjunto completo de pneus.

- ao mexer em acetona convém extremar ao máximo as precauções, pois pode irritar a pele e as mucosas. Deve-se trabalhar sempre com a janela aberta ou num local arejado. Enche-se o recipiente até uma altura que não ultrapasse os 10 cm. Antes de se descolarem as rodas é preciso verificar atentamente o estado das jantes porque se estiverem partidas, gretadas ou deterioradas (sobretudo deformadas) o trabalho não vale a pena. Só se descolam as que se encontram em perfeito estado, pois são as únicas que podem voltar a ser utilizadas.

- é conveniente limpar qualquer sujidade das rodas porque desta maneira conseguem-se dois objectivos: que a acetona penetre em todos os pontos e verificar mais facilmente o estado das jantes. A seguir mergulham-se as rodas na acetona com muito cuidado, evitando salpicos.

- para que a descolagem seja eficaz é necessário deixar as rodas pelo menos uma noite na acetona. Por vezes pode ser preciso mais tempo, ou pode mesmo acontecer que o fabricante tenha utilizado outro tipo de cola que não a cianoacrílica e, nesse caso, não se consegue descolar.

- antes de se tirarem as rodas do recipiente é conveniente proteger a mesa de trabalho com um pano e uma toalha velha. Também se devem proteger as mãos com luvas de látex ou utilizar uma pinça.

- tiram-se as rodas uma a uma e começa-se logo a separar o pneu da jante. Para isso fazêmo-lo deslizar pressionando com os dedos. Tem que se actuar depressa porque a acetona evapora rapidamente, e com muito cuidado, adoptando as máximas precauções.

- pode acontecer que a acetona não tenha chegado a todos os pontos de união do pneu e fiquem partes coladas que não é possível tirar com as mãos. Nestes casos, recorre-se a uma chave de parafusos que é introduzida entre a jante e o pneu.

- quando a acetona seca, coisa que, com já foi dito, acontece muito depressa, o pneu e a espuma interior ficam totalmente deformados e encarquilhados, mas também já não servem para nada. Contudo, a jante está limpa e pronta a ser novamente usada com espuma e pneu novos.

- já só falta a jante em água morna e detergente da loiça. Por vezes, se ainda ficaram restos de borracha colados, é preciso utilizar também um cortante. Depois de a jante secar pode-se proceder à colagem de um pneu e espuma novos.

- como foi dito atrás, existe outro método para descolar pneus de jantes: mediante a sua cozedura à pressão. Para isso é preciso uma panela de pressão velha que já não sirva para cozinhar, um pouco de água e um fogão para ferver a água.

- o método consiste em encher de água a panela até um quarto da sua capacidade e, depois mergulhar os pneus. Em geral, cabe um conjunto completo. Tapa-se a panela e leva-se ao lume.

- depois espera-se até que a válvula comece a girar e, a partir desse momento, deixa-se cozer durante pelo menos quinze minutos. Passado esse tempo, espera-se que arrefeça completamente e tiram-se as rodas uma a uma, como explicou-se anteriormente. Antes disso, prepara-se a mesa de trabalho para não a manchar. O processo para separar os pneus das jantes é o mesmo que se utilizou com o dissolvente.

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