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Os motores glow utilizados nos veículos de Rally de rádio control são motores de baixa cilindrada e formados por poucas peças mas que oferecem umas performances sensacionais. No entanto, todos os seus componentes têm uma forma específica que é preciso reproduzir com grande precisão durante o processo de produção; uma diferença de centésimas de milímetro em qualquer das peças, por exemplo, chega para alterar as características do motor, variando a curva de potência e modificando as suas performances, tanto em aceleração como no regime máximo que pode alcançar.
A câmara de combustão, uma das partes fundamentais do motor, é formada por diferentes elementos. Em primeiro lugar temos a cabeça, que é uma peça de alumínio situada na parte alta do motor; tem quatro orifícios para se aparafusar ao cárter e um quinto central onde se aloja a vela. Por baixo deste orifício fica a combustão propriamente dita. A parte baixa da câmara é formada pela cabeça do pistão, que num ciclo a dois tempos do motor glow só fica selada na fase de combustão.
O terceiro elementos são as anilhas de descompressão, umas juntas de metal normalmente de cobre ou alumínio que, além de tornarem a câmara estanque, permitem modificar o seu volume. Um motor glow pode ter diferentes anilhas de descompressão, consoante o combustível que se use e a utilização que é dada ao veículo.
Características da câmara
A câmara de combustão é um espaço fechado onde se produz a deflagração da mistura de ar e combustível que chega a partir do cilindro. É nesta zona que se atingem as temperaturas e pressões mais elevadas, pelo que a sua principal característica deve ser a estanquicidade, para impedir que os gases escapem, seja pelas juntas que a unem ao cárter utilizam-se as citadas anilhas de descompressão. No caso do orifício onde se aloja a vela, esta também tem uma anilha de cobre que desempenha a mesma função. Nos motores de competição em vez das velas normais utiliza-se um tipo de velas denominadas «turbo» que são combinadas com umas cabeças e cabeçotes especiais.
Não têm anilha, mas a superfície de contacto é muito maior e aguentam mais pressão e temperatura que as normais. Outras das condições que a câmara de combustão deve cumprir é que os gases cheguem de maneira a favorecer a sua ignição. Para isso tem que ter uma forma determinada que dirija os gases até ao filamento incandescente da vela. A ignição produz-se quando o pistão sobe até ao chamado ponto morto superior (PMS), altura em que comprime os gases até que a pressão e a incandescência da vela provocam a deflagração da mistura, como se disse quando se falou dos motores glow.
Outro requisito necessário à câmara é a capacidade de dissipar o calor para o exterior, pois caso contrário a temperatura atingiria valores excessivos. É por isso que se utilizam ligas de alumínio na sua construção e se acrescenta uma peça do mesmo material e de grandes dimensões, denominada cabeça de refrigeração, que apresenta múltiplas abertas que permitem a passagem do ar entre as mesmas quando o veículo está em movimento e facilitam a dissipação do calor.
A forma da câmara de combustão
Devido à pequena cilindrada dos motores glow, o volume da câmara é muito reduzido e a sua forma determina o comportamento do propulsor. A maior parte dos motores glow dispõe de uma câmara de combustão de forma hemisférica, porque esta forma permite que os gases penetrem uniformemente ao longo de toda a cabeça do pistão e se produza uma ignição muito rápida da mistura de ar e combustível que sobe pelo cilindro, aumentando a compressão e, portanto, as performances do motor. Nos motores de competição modernos a base da cabeça que rodeia a câmara de combustão não tem uma forma plana, mas dispõe de uma pequena estrutura cónica para o centro que envia os gases das paredes do cilindro directamente para o filamento da vela. Isto ainda aumenta mais a eficácia e rapidez da explosão e permite que motores de, por exemplo, 3,5 cc de cilindrada consigam debitar uma potência superior aos 3 cv, um valor realmente notável.
Também existem cabeças com outras formas, como as câmaras de combustão em forma de trompete, assim chamadas pela sua forma, concebida para que todos os gases se dirijam directamente para o filamento da vela. Existem ainda outras formas curiosas, pois cada fabricante procura a melhor maneira de levar os gases ao filamento incandescente a fim de aumentar a compressão e melhorar as performances do motor.
 
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