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Como o seu nome indica, a transmissão é o conjunto de elementos mecânicos que transmitem a potência do motor às rodas. Nos carros de rádio control, os elementos que constituem a transmissão são poucos em comparação com os modernos e complexos automóveis reais de tracção total, com um sem-fim de sistemas electrónicos de antiderrapagem, controlo de tracção, etc.
Não contando com o motor, num modelo de Rally de rádio control a transmissão é composta pelos seguintes elementos: a embraiagem, dois ou três diferenciais e um conjunto de elementos puramente mecânicos como os rolamentos, semieixos, cardans, eixos, correias, poleias e acoplamentos cónicos. As rodas representam o último degrau da cadeia da transmissão.
Esquema da transmissão
Um modelo de Rally apresenta um design de transmissão muito semelhante ao que equipa os buggies todo-o-terreno de rádio control. Quase todos os modelos costumam ter o motor em posição longitudinal, mais ou menos ao centro do chassis e na zona traseira do veículo. Na escala 1/8, só o modelo de Rally Game da marca italiana BMT apresenta uma disposição diferente, pois o motor encontra-se em posição transversal traseira, tal como nos carros da modalidade de Pista à escala de 1/8 de competição. Na escala 1/10, esta disposição é mais frequente e podem-se encontrar mais modelos com o motor transversal.
Consoante o motor esteja na posição longitudinal ou transversal, o curso e a mecânica serão completamente diferentes, pois no primeiro caso a transmissão faz-se por meio de semieixos e cardans e no segundo através de poleias e correias.
Transmissão por semieixos e cardans
Como já se disse, o motor encontra-se na posição longitudinal em relação ao chassis. Dele parte a embraiagem cujos pinhões engrenam numa roda de coroa que fica ao centro do chassis. Esta é chamada roda de coroa principal e no caso dos veículos de Rally não costuma ter um diferencial incorporado. Esta coroa é que se encarrega de repartir a força do motor pelos eixos dianteiros e traseiro (é de recordar que estamos a falar sempre de um carro com transmissão integral ou 4x4). Na roda de coroa principal encaixam dois cardans e a um deles costuma estar associado o sistema de travão. Este consiste num disco que é solidário com o cardan e que roda com a transmissão, e numas pastilhas que o prendem e se fixam no suporte principal da coroa da transmissão, o que reduz o número de peças. De cada cardan sai um semieixo de esferas, ou seja, um semieixo com uma cabeça redonda em cada extremidade e um pequeno eixo que a atravessa. Cada um destes semieixos engrena nos diferenciais da frente e detrás mediante um acoplamento cónico que é formado por uma roda de coroa de metal e um pinhão de ataque, ambos cónicos, que dão à transmissão uma rotação de 90 graus para poder ligar com o diferencial que se encontra fixado à roda de coroa do acoplamento.
Nestes casos os diferenciais costumam ser do tipo clássico, isto é, constituídos por pinhões cónicos, denominados, em função da sua localização, satélites ou planetários. Também existem modelos com diferenciais de pinhões rectos que desempenham a mesma função.
De cada planetário do diferencial sai um cardan que acopla com os semieixos, um por cada roda. Estes semieixos estão unidos às mangas de eixo das rodas por outros cardans cujo semieixo atravessa as mangas de eixo e serve de eixo das rodas. Nestes eixos são costume colocar-se um sistema de arrasto da jante, sendo o mais normal uma pela hexagonal, que pode ser de plástico ou de metal, denominada hexágono de arrasto e que encaixa na jante. É aqui que termina o processo da transmissão. Este esquema repete-se em cada um dos eixos motrizes. A transmissão através de cardans em vez de semieixos apresenta numerosas vantagens, sendo a principal o facto de se tratar de um sistema muito fiável e robusto. Na modalidade de Rally, na qual o tipo de piso por onde se circula pode variar muito e as acelerações são frequentes, os cardans constituem uma garantia face a uma eventual quebra de qualquer elemento da transmissão. Outra das vantagens é que toda a transmissão se encontra protegida e encerrada em caixas estanques, como é o caso dos diferenciais e acoplamentos cónicos. Isto permite rodar em superfícies com terra sem que a transmissão sofra qualquer contratempo. A suavidade de funcionamento e liberdade de movimento é outro ponto a favor deste tipo de transmissão. A única desvantagem reside no maior peso dos diferenciais e semieixos em relação ao sistema alternativo que examinaremos a seguir.
 
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