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O rendimento final de um veículo de rádio controlo depende em grande medida da relação existente entre a acção da própria embraiagem e da curva de potência do seu motor térmico. A afinação da embraiagem, quando e como deve actuar, também é uma das tarefas mais importantes do ponto de vista da afinação do modelo.
São muitos os pilotos que, na prática, acabam por se esquecer da embraiagem do seu veículo assim que, de acordo com o manual de instruções de montagem, esta foi correctamente instalada. Infelizmente, a partir dessa altura só voltam a prestar-lhe atenção quando ela apresenta sintomas de desgaste ou, na pior das hipóteses, até que se parte definitivamente e tem que ser substituída por completo. No entanto, a relação entre a transmissão e o motor de um modelo térmico é tão estreita que qualquer piloto deve perceber o carácter crítico que tem do ponto de vista do rendimento posterior do próprio veículo.
Por esta razão, na altura em que se afina um chassis no seu conjunto, deve-se prestar tanta atenção as afinações do motor como às da própria embraiagem. O êxito e a precisão na execução da saída de uma curva ou de um salto ficam condicionados pelo instante exacto em que a embraiagem actua. Portanto, a união entre a transmissão e o motor mediante a correcta afinação da embraiagem devera ser, em qualquer automodelo, a mais perfeita possível.


Tipos de embraiagens
Quando se trata de encontrar diferenças entre os motores eléctricos e os motores térmicos, a maneira como ambos entregam a sua potência em relação com o regime do motor é muito característica em cada caso: um motor eléctrico debita a sua potência de maneira quase linear, ao passo que os motores térmicos apresentam uma curva de potência de inclinação muito pronunciada. A aproximação do motor térmico a essa curva ideal é favorecida pela afinação correcta da embraiagem e pelo próprio funcionamento centrífugo destes, que reduz o efeito negativo que o piloto pode chegar a exercer sobre o trabalho dos mesmos e devido ao seu estilo de condução.
De maneira geral, as embraiagens centrífugas, as únicas que se utilizam em modelismo de rádio control, dividem-se em dois grandes grupos consoante o tipo de expansão que tenham. Nas de expansão circular, a embraiagem experimenta um movimento que vai do centro para fora, ao passo que as de tipo linear seguem um movimento do tipo indicado pelo seu próprio nome.
Conforme o tipo de movimento, circular ou linear, as sapatas, em número de uma a seis dependendo do modelo de embraiagem, podem ser livres ou guiadas e isto determinará também o tipo de volante sobre o qual têm que ser montadas. As sapatas guiadas, as mais utilizadas, realizam apenas o movimento para o qual foram concebidas e que as mantém em contacto com a campânula. Este movimento também serve para determinar a sua forma final e as suas dimensões, intimamente relacionadas com o diâmetro interno da campânula (26-27 mm na escala 1/10 e 1/8 e 53-54 mm na Grande Escala). Ao escolher-se uma embraiagem para um modelo de rádio control devem-se ter em conta factores como o peso total do veículo, o tipo de transmissão, de tracção, o tipo de piso sobre o qual vai circular e, sobretudo, o valor do binário que o motor debita, em especial a regimes baixos, de maneira a conseguir-se o ponto óptimo de conjugação entre a acção da embraiagem e o estado da curva de potência do motor, ou seja, o instante apropriado e da melhor maneira, o que aumentará consideravelmente o rendimento e a eficácia do motor. Deste modo obtém-se a melhor resposta final do modelo, o principal objectivo do fabricante quando concebe um veículo, que tem que decidir que tipo de embraiagem vai incorporar no mesmo.
A acção de todas as embraiagens baseia-se no mesmo princípio: a embraiagem transmite a potência ao eixo motriz do veículo, enquanto o motor aumenta as suas rotações por minuto (rpm) como resposta a um aumento da aceleração (gás). Consequentemente, tem que se prestar especial atenção a como e, sobretudo, quando actua a embraiagem no veículo. É esta a verdadeira chave do seu uso eficaz em competição.


Quando e como
Saber, a partir do comportamento do veículo, se uma embraiagem tem a afinação ideal é, no mínimo, complicado. São muitos os motores e tipos de embraiagem diferentes que existem hoje em dia, bem como os modos de aplicação ou de uso disponíveis. Neste contexto torna-se impossível estabelecer um método que permita ajustar a embraiagem de um veículo com uma garantia total, pelo menos em teoria, de que esse é o mais correcto possível. A quantidade de hipóteses é tanta que, como já se disse, devemos contentar-nos em saber quanto deve actuar a embraiagem, como deve ser afinada e, sobretudo, que comportamento queremos que tenha no nosso automodelo após a sua manipulação.

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