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Acontece muitas vezes que um carro não acelera como é de esperar ou não alcança a velocidade que devia, mas tem o motor bem afinado e todos os periféricos optimizados. É muito possível que a causa seja uma má escolha da relação de transmissão, e a sua solução é muito simples se se tiverem os pinhões apropriados para a alterar.
A relação de transmissão expressa a desmultiplicação do número de rotações do motor até chegar às rodas. Esta desmultiplicação faz-se através de engrenagens instaladas para esse efeito na cadeia cinemática. A transmissão é o mecanismo ou conjunto de mecanismos encarregados de transmitir a potência do motor às rodas.
Neste sistema intervém uma serie de mecanismos independentes e complexos, capazes por si mesmos de modificar as performances do carro, como por exemplo os diferenciais e a embraiagem.
Na modalidade de Rally utilizam-se geralmente transmissões com semieixos e diferenciais. Existem dois tipos básicos de transmissão: tracção traseira e tracção integral. Esta ultima é a mais difundida hoje em dia, porque torna mais fácil a condução dos veículos por qualquer praticante e em qualquer pista, além de proporcionar uma pilotagem mais espectacular. Isto também implica um maior número de peças, uma vez que, entre outras coisas, é necessário duplicar o diferencial.
Função da desmultiplicação
Ao longo do curso da transmissão entre o motor e as rodas motrizes existem várias poleias ou carretos, pinhões e coroas que alteram a relação final do veículo. Em automodelismo de rádio control chamam-se de poleias uma pequenas coroas, geralmente feitas com materiais plásticos, que se colocam nos eixos intermédios da transmissão.
Qualquer motor de explosão dos utilizadores em automodelismo trabalha a regimes muito elevados, ultrapassando-se facilmente as 35 000 rpm. Além disso, têm um binário, ou seja, uma força em aceleração, relativamente baixo. Assim, se se tentasse transmitir directamente o movimento às rodas, por um lado, estas não poderiam girar a este ritmo tão elevado e, por outro, não se disporia de um binário suficiente para começar a move-las. É por estas razoes que se torna necessária uma desmultiplicação do número de rotações, numa proporção que depois se procura optimizar para a pista em questão a fim de se utilizar a relação final mais adequada. A primeira desmultiplicação ocorre entre a embraiagem e a coroa principal; a segunda, entre a poleia (ou acoplamento cónico) do eixo intermédio e a coroa do diferencial, e a última é realizada pelas próprias rodas consoante o seu diâmetro. Assim, de uma maneira simples, bastando apenas trocar um pinhão ou uma poleia, modifica-se a velocidade final do veículo e a sua aceleração. Como regra geral pode-se dizer que:
- uma relação mais longa permite mais velocidade, mas uma aceleração menor.
- uma relação mais curta implica acelerações mais fulgurantes, mas uma menor velocidade de ponta.
Como determinar a relação adequada
Em geral, quando se compra um carro de rádio control, este costuma vir preparado com uma relação bastante mais curta do que aquela que o motor permite, sobretudo se for um modelo de iniciação. Faz-se isto para facilitar aos que se iniciam no automodelismo os primeiros treinos de condução, pois assim a velocidade não é excessiva. A relação de origem também é indicada para andar com o modelo em espaços reduzidos e com muitas curvas fechadas que permitem uma habituação ao modelo. Contundo, quando se vai andar num parque de estacionamento vazio ou um circuito permanente, é evidente que o modelo terá falta de velocidade mesmo que tenha um motor potente. Todos os modelos que se vendem hoje em dia oferecem diferentes opções de coroas e pinhões que, por um preço acessível, permitem alterar a relação final do carro de maneira fácil e simples. Como num modelo de Rally pode circular por todo o tipo de pisos e traçados, daremos seguidamente uma serie de indicações para se tirar o melhor partido das performances do motor e obter a máxima satisfação com o carro, pilotando a toda a velocidade nas mais variadas pistas.
 
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