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Os pequenos e rápidos bólides de rádio control estão equipados com suspensões muito elaboradas e muito mais eficientes do que as que equipam os automóveis reais. Na maior parte dos chassis, inclusivamente em muitos para iniciação, é possível efectuar numerosas afinações, geralmente de forma simples; o ângulo de avanço ou caster é uma delas.
O avanço é o ângulo formado entre a vertical e a recta que une os parafusos-eixo da manga de eixo de uma roda. Em automodelismo este ângulo é sempre positivo, ou seja, a recta que une os parafusos-eixo das mangas de eixo está sempre orientada para trás e nunca para a frente. Quanto maior for este ângulo, maior será a tendência natural das rodas para regressarem ao seu ponto neutro depois de se negociar uma curva, isto é, a ficarem direitas.
Teoricamente, a afinação do ângulo de caster pode-se efectuar tanto no eixo dianteiro como no eixo traseiro, mas de uma maneira geral só se pode intervir no eixo dianteiro, pois no eixo traseiro este parâmetro costuma vir fixado pelo fabricante, e neste caso denomina-se «ângulo de antiafundamento».
Como modificar o avanço
Como já se sabe, a suspensão dianteira dos modelos é constituída na maioria dos casos por trapézios duplos, que ficam encaixados nos correspondentes suportes do chassis através de eixos de aço ou de outro metal, um para cada trapézio, que lhes permitem um deslocamento denominado curso da suspensão. Geralmente, estes trapézios ligam-se às mangas de deixo mediante um sistema de rótulas para facilitar o mencionado deslocamento. Os trapézios superiores têm uma largura inferior à dos seus suportes, o que permite avançá-los ou atrasá-los e, assim, alterar o ângulo de caster.
Neste sistema, para fixar os trapézios existem uns aros ou anilhas de plástico que não são totalmente fechados de maneira a permitir tirá-los e alterar facilmente a sua posição. Outros modelos, em vez do trapézio superior têm uma barra regulável que, apesar de estar encaixada nos suportes mediante um eixo, também permite a modificação do avanço da mesma maneira.
Existe outro tipo de veículos nos quais não é possível alterar só o avanço, porque em vez do trapézio superior têm uma barra que encaixa mediante rótulas, tanto nos suportes como nas mangas de eixo. Em princípio, neste tipo de carros não se pode modificar o avanço, embora os trapézios inferiores costumem ser guiados por um eixo. Se este permite o deslocamento, então também se pode alterar neles o avanço, mas ao mesmo tempo modifica-se outro parâmetro que afecta a estabilidade do carro, a distância entre eixos.
Por último, existem modelos nos quais a suspensão é constituída por varetas com rótulas, tanto nos trapézios superiores como nos inferiores. Nestes casos não se pode modificar o ângulo de caster, salvo se o fabricante previu diferentes pontos de encaixe para as rótulas, o que é habitual quando se adopta este tipo de suspensão.
Suspensões com trapézios duplos
Actualmente esta solução é a que mais se utiliza tanto nos veículos de Rally como nos de Pista de rádio control e permite a modificação do avanço de uma forma muito rápida e exacta, sem ser preciso recorrer a qualquer acessório nem medidor de ângulos para a levar a cabo. Actua-se nas anilhas abertas, que costumam ter uma protuberância com um orifício para facilitar a sua manipulação.
A melhor maneira de as retirar é utilizando uma chave Allen em forma de «L», a mais pequena que se tiver na caixa de ferramentas, que costuma ser a de um milímetro. Introduz-se a chave no orifício da anilha e puxa-se com força para a extrair. Em cada trapézio é costume haver varias anilhas destas com diferentes larguras, que podem variar de 1 a 4 mm. Isto permite realizar uma modificação mais ou menos ampla consoante se pretenda e de uma maneira simples e rápida. Se, por exemplo, se tirar uma anilha atrás do trapézio e se colocar à frente, aumenta-se o ângulo de caster ou avanço.
Se se fizer o contrário e se acrescentarem anilhas atrás do trapézio, o que se faz é reduzir o avanço.
 
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