|
Quando compra o primeiro modelo de carro de rádio control uma das grandes duvidas de qualquer iniciado é saber qual o emissor de rádio que deve escolher para que este se adapte perfeitamente ao seu novo bólide.
Encontram-se no mercado muitas marcas de emissores e cada uma delas com vários modelos diferentes não só por fora como também ao nível da electrónica e, sobretudo, das performances. Isto pode ser uma verdadeira dor de cabeça para qualquer iniciado que, depois de ter optado por um modelo de uma escala e modalidade determinadas, enfrenta então o problema da escolha de um aparelho de rádio control.
Antes de mais, há modelos de volante e outros de sticks (alavancas). Ora, para a modalidade mais tratada nesta colecção, os rallies, ambos os tipos servem, mas os de volante simulam bastante melhor a condução real.
Volante ou sticks?
Esta tem sido a eterna dúvida desde há muitos anos. Ao iniciarem-se no automodelismo os pilotos caloiros costumam seguir os conselhos dos mais experientes ou simplesmente as indicações do vendedor do modelo. Pelo nosso lado, já perguntámos a um grande número de praticantes – uns defensores acérrimos dos rádios de volante, outros dos de sticks – que utilizaram ambos os tipos e obtivemos conclusões bastante concludentes que passaremos a expor seguidamente:
- a forma: a forma de ambos os tipos de aparelhos de rádio control é muito diferente, pois os de sticks são caixas praticamente quadradas, com as duas alavancas ou «palitos» na frente, uma para accionar a direcção e a outra para o acelerador/travão. O emissor de volante tem forma de pistola e empunha-se com o volante a ser accionado com a mão direita e o gatilho com o dedo indicador da mão esquerda para o acelerador/travão.
Quem utiliza pela primeira vez um emissor de rádio control acha mais natural o de volante, que imita o volante dos automóveis, para andar num circuito e negociar as curvas, que o de sticks. A dificuldade do emissor de sticks aumenta quando o modelo se dirige de frente para o piloto, caso em que é preciso mover o stick da esquerda para virar à direita, manobra que para um iniciado é mais complicada de realizar do que com um emissor de volante, cujas viragens parecem mais racionais mesmo que o carro se dirija para ele. É por isto que no automodelismo os emissores de rádio control de sticks têm vindo a ser substituídos pelos de volante e só se utilizam nos kits de iniciação «económicos» nos quais os emissores e os receptores costumam ser de muito baixa qualidade. Porém, ainda existe um amplo sector de automodelistas que procedem de outras modalides no modelismo de rádio control, como o aeromodelismo, onde só se utilizam emissores de sticks, e as melhores marcas fabricam para eles avançados rádio de sticks de gama alta, com inúmeras afinações, que são verdadeiras centralinas electrónicas, do mesmo nível dos melhores que se utilizam no automodelismo.
- pilotagem: a posição de condução é totalmente diferente consoante o modelo de emissor. O emissor de volante agarra-se com a mão esquerda e a direcção é accionada com a mão direita. Para acelerar encolhe-se o dedo indicador da mão esquerda e para travar estica-se esse mesmo dedo. Isto permite manter sempre a antena na posição vertical em relação ao solo; o que é o melhor para que o alcance do rádio seja o máximo e a fixação cómoda. Alem disso, se se apoiar o cotovelo esquerdo no braço de uma cadeira é possível passar varias horas a pilotar sem se notar qualquer cansaço nos braços.
Em contrapartida, o rádio de sticks tem que ser agarrado com as duas mãos, enquanto com o polegar esquerdo se acciona o stick da direcção e com o polegar direito a aceleração/travão. Embora haja correias para pendurar o rádio ao pescoço, são poucos os automodelistas que as utilizam porque passado algum tempo se começa a notar cansaço nas duas mãos, o que reduz a sensibilidade normal dos dedos e perde-se precisão na condução.
Contundo, os emissores de sticks são superiores aos de volante em termos da travagem pois nos primeiros usa-se o polegar da mão direita e tem-se mais sensibilidade do que esticando o indicador da mão esquerda, que é a maneira de accionar o travão nos emissores de volante. Alem disso, o curso é maior nos emissores de sticks e, por isso, controla-se melhor esta função.
De um modo geral, quando se começa com um tipo de emissor nunca mais se muda para outro, mas se um automodelista que utilize um dos dois modelso de emissores tem que pilotar com o do outro tipo, seja porque outro piloto lhe entrega o carro seja simples curiosidade de experimentar ou por qualquer outra circunstância, habitua-se facilmente após um curto período de adaptação. Há países onde, por tradição, se costuma utilizar um determinado tipos de emissores. Assim, por exemplo, nos países nórdicos europeus a tendência é sobretudo para os emissores de sticks e nos países do Sul da Europa utilizam-se particularmente os de volante. No entanto, e em ultima instancia, aquilo que realmente interessa é que cada piloto utilize o material que mais lhe agrade.
 
|