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Graças ao uso correcto dos diferenciais do sistema de transmissão de um veículo podemos controlar o seu nível de tracção. Qualquer praticante de modelismo dinâmico deve conhecer os diferentes tipos de diferenciais existentes e também o seu funcionamento.
É frequente o trabalho imprescindível realizado pelos diferenciais no sistema de transmissão de um veículo ficar obscurecido pela auréola de mistério que rodeia os seus fundamentos mecânicos. Convertidos em verdadeiras caixas negras, os diferenciais revelam-se essenciais no momento em que é preciso transmitir ao solo, de forma eficaz, a potência gerada por um motor. Os diferenciais servem para que as rodas motrizes montadas num mesmo eixo possam rodar a velocidades diferentes quando o veículo descreve uma curva, e para dividir entre as duas rodas o binário de torção daí resultante. Tudo o que foi dito até aqui é valido tanto para os veículos reais como para os modelos de rádio control, e sem os diferenciais não poderíamos exercer um controlo real, de maneira efectiva, da tracção no nosso modelo. No entanto, não chega conhecer os seus fundamentos mecânicos nem as vantagens resultantes do seu uso correcto para se ter a certeza de que se devem, ou não, utilizar ao longo do sistema de transmissão ou nos eixos de um veículo, se se pretender obter com eles vantagens em relação aos adversários. A melhor afinação do diferencial, de acordo com as condições particulares do circuito onde se vai correr, também não constitui de modo algum uma ciência exacta. Nem sequer a correcta manutenção dos diferentes tipos de diferencial existentes garante umas performances determinadas. Seja como for, os diferentes modelos existentes e o seu enorme atractivo do ponto de vista técnico justifica plenamente o seu estudo.
Um elemento vital do sistema de transmissão
Independentemente do design de um diferencial, os elementos que o compõem situam-se sempre entre os dois semieixos aos quais o diferencial se encarrega de transmitir a potência para lhes permitir girar a diferente velocidade quando estes entram em movimento. Portanto, a inclusão de um diferencial num eixo do veículo, seja dianteiro ou traseiro, permitirá que a roda exterior de uma trajectória curva gire mais depressa que a interior, porque esta tem que percorrer uma distância inferior no mesmo intervalo de tempo. As consequências práticas que o uso de diferenciais tem sobre a estabilidade e o controlo da tracção de um veículo, quando este é sujeito a mudanças de aceleração ou tem que descrever uma curva, são muito importantes para a obtenção de um rendimento óptimo do mesmo.
Estrutura dos diferenciais
Antes de se descreverem os diferentes tipos de diferencial existentes é preciso rever alguns dos aspectos básicos que caracterizam o seu design. O corpo principal de um diferencial é formado por uma caixa de forma cilíndrica e, em geral, metálica. A esta caixa chega um eixo ou veio que se encarrega de transmitir a potência que foi gerada por um motor. Naturalmente, a potência pode chegar reduzida, ou não, dependendo se ao longo do eixo se instalou, ou não, uma caixa de velocidades. Dentro do corpo cilíndrico encontra-se uma serie de engrenagens, chamadas planetários e satélites. Cada um destes elementos é, respectivamente, solidário com os eixos de ambas as rodas ou livre. O design particular dos dentes destas engrenagens desempenha um papel decisivo na transmissão final da potência ao eixo. Por exemplo, se um diferencial for capaz de «detectar» uma mudança na tracção total do veículo, modificará de forma automática o seu comportamento e, graças a isto, melhoram as performances globais do mesmo.
Tipos de diferenciais
Os diferenciais disponíveis hoje em dia no mundo do modelismo de rádio control são muitos. De um modo geral, o aparecimento de diferentes tipos de diferenciais ou a sua evolução serviu para introduzir melhorias consideráveis no comportamento do veículo, nas suas condições globais de tracção e também no seu rendimento e eficácia em pista. A revisão de cada um destes tipos servira igualmente para verificar como é que as suas diferentes afinações afectam o comportamento do veículo. Vejamos a seguir os diferenciais que se podem encontrar nos chassis de Rally ou naqueles que nos ajudarão a perceber o comportamento dos mais utilizados nesta modalidade.
- diferenciais de deslizamento limitado: neste tipo de diferenciais, a presença de uma mola encarrega-se de obter a diferença relativa de rotação entre os seus planetários, aos quais, por outro lado, não é permitido contactarem totalmente, evitando-se assim a obtenção de uma união rígida entre os mesmos. Como consequência da pressão da mola e da diferença de rotação dos dois planetários, consegue-se transmitir mais potência à roda do eixo que tem mais aderência num dado instante. Quando se utilizam em automodelismo, é habitual usar neste tipo de diferenciais massas lubrificantes ou silicone para aumentar ou diminuir a capacidade de deslizamento que se deseja que o próprio diferencial permita a cada uma das rodas do eixo. Diz-se que o diferencial é duro se se utilizou um silicone muito viscoso, capaz de conseguir que ambas as rodas girem quase solidárias. Se, pelo contrário foram utilizadas massas consistentes, o diferencial fica muito solto. Assim, perde-se tracção, pois não será transmitida a potência suficiente à roda oposta à que sofre o deslizamento.
 
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