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Para que uma roda actue com a máxima eficiência nas diferentes condições de andamento, isto é, em linha recta e nas curvas, é preciso jogar com a suspensão em busca de determinados ângulos que lhe proporcionem a melhor aderência à pista nas diferentes circunstancias mencionadas. A afinação aqui tratada, chamada camber ou queda, tem uma grande influência no comportamento do veículo, pois pode alterar a sua estabilidade num grau significativo.
As quedas das rodas expressam-se, tal como a maior parte das afinações da suspensão, como a magnitude de certos ângulos. Trata-se de parâmetros que, regra geral, o auto modelista aprende a afinar com certa facilidade.
Podemos definir a queda de uma maneira clara e simples como o ângulo formado pelo plano da roda com a vertical, e o seu valor é zero quando coincide com esta, negativo quando as rodas estão aberta na parte de contacto com o solo, e positivo quando as rodas se juntam na sua parte inferior.
Na maior parte dos manuais de montagem e afinação dos modelos faz-se referencia ao mesmo através do termo anglo-saxónico «camber», e aplica-se separadamente a ambos os eixos do carro, influenciando em cada caso de maneira diferente o comportamento geral do veículo.
Efeitos no eixo dianteiro
- queda ou camber positivo: a queda positiva aumenta a vivacidade do carro, de tal maneira que quanto mais positivo for este ângulo, mais nervoso será o comportamento do carro. O carro torna-se mais instável, com uma grande tendência a derrapar, e fica muito difícil de conduzir. Em geral, pode dizer-se que as quedas positivas não se utilizam no automodelismo de rádio control, ou muito raras vezes em situações e modalidades muito específicas, como por exemplo em pistas cujo traçado tem curvas muito seguidas e fechadas, o que obriga à utilização de uma barra estabilizadora dianteira.
- queda ou camber negativo: tem o efeito contrário da queda positiva, ou seja, estabiliza o chassis nas fases dinâmicas mais complicadas, como por exemplo ao acelerar à saída das curvas com as rodas viradas. A queda negativa produz um aumento artificial do eixo quando se negoceia uma curva e é por isso que estabiliza o chassis, proporcionando uma maior tracção lateral total, embora também provoque uma menor inclinação do carro em curva. Em curvas rápidas torna o veículo subvirador, o que proporciona uma maior estabilidade geral.
Há que ter em conta que todos os ângulos e parâmetros das geometrias da suspensão estão intimamente relacionados. O camber está em estreita relação com o «caster», ou avanço, de tal maneira que quanto maior for o ângulo de caster de um veículo menos queda negativa necessita e, pelo contrário, se o veículo tiver um ângulo de caster reduzido, necessitará de uma maior queda para ter a mesma estabilidade.
Existe uma norma fundamental para se conseguir uma boa afinação do carro e que, alem disso, é uma boa ajuda para se perceberem todos os factores aqui estudados: trata-se de actuar passo a passo, modificando só um parâmetro de cada vez, e depois testar os seus efeitos na pista. Depois de uma modificação pode-se mudar o mesmo parâmetro em sentido contrário e voltar a testar o comportamento do veículo para observar os efeitos da alteração. Esta é a melhor maneira de aprender a dominar a afinação das suspensões e também ajuda a melhorar as capacidades de cada um como piloto, pois percebe-se melhor o carro que se conduz e as suas reacções.
Em geral, parte-se sempre de uma afinação de queda nula (ângulo zero) ou ligeiramente negativa, para depois se modificar de acordo com as características do chassis e do estado da pista por onde se roda. Há que chegar a um compromisso e conciliar a estabilidade e a vivacidade do carro, de maneira que se possam abordar as curvas à maior velocidade possível sem perder o controlo. Se se anda por pistas de terra com muitos buracos, é conveniente aumentar a queda negativa do eixo dianteiro para se poderem enfrentar com segurança.
 
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